Com a chegada do inverno, observa-se um aumento da demanda por suplementos alimentares destinados a “reforçar o sistema imunitário”. No entanto, para além das vitaminas, existem outros nutrientes fundamentais que desempenham um papel essencial na defesa do organismo: os oligoelementos.
O que são oligoelementos?
Os oligoelementos são minerais exigidos em quantidades muito pequenas pelo organismo, mas que são fundamentais para o funcionamento de diversas vias metabólicas e processos imunológicos. Atuam também como cofatores enzimáticos, participam em reações redox e são indispensáveis para a ativação e proliferação de células do sistema imunitário.
Mesmo défices nutricionais de pequena magnitude podem comprometer os mecanismos de defesa do hospedeiro, aumentando a suscetibilidade a infeções e contribuindo para estados de fadiga acrescida, principalmente nos meses de inverno.
Entre os oligoelementos, os mais relevantes para a imunidade são o zinco, o selénio, o ferro e o cobre.
Que funções desempenham? Qual o seu papel no sistema imunitário?
Do ponto de vista fisiológico, os oligoelementos contribuem de várias formas para o fortalecimento do sistema imunitário, entre elas:
- Manutenção das barreiras físicas (como a pele e mucosas), impedindo a entrada de microrganismos;
- Regulação de respostas imunes inatas e adaptativas;
- Modulação de processos redox.
Nestes contextos, os oligoelementos assumem um papel determinante:
- Zinco: essencial na proliferação celular, na maturação de linfócitos e células NK e na atividade de enzimas antioxidantes que protegem as células contra o stress oxidativo.
- Selénio: potente ação antioxidante capaz de proteger as células contra a ação de radicais livres, facilita a ativação e proliferação dos linfócitos T, potenciando a resposta antiviral.
- Ferro: essencial para o transporte de oxigénio, contribui para a regulação de citocinas, para a atividade de enzimas que permitem às células imunes eliminar microrganismos e para a proliferação de linfócitos. Tanto o défice como o excesso de ferro podem comprometer a função imunitária;
- Cobre: participa em múltiplas reações enzimáticas e apoia mecanismos de defesa contra microrganismos.
O estado nutricional destes oligoelementos exerce um papel central na eficácia das respostas imunitárias, sendo que tanto a deficiência como o excesso podem prejudicar o organismo. Por este motivo, garantir um aporte adequado, preferencialmente através de uma alimentação equilibrada ou, quando clinicamente indicado, por suplementação, é fundamental para a manutenção do sistema imunitário, especialmente em períodos de maior suscetibilidade a infeções.
Porque é que no inverno aumenta o risco de défices?
Durante o inverno, o sistema imunitário enfrenta desafios acrescidos devido ao aumento da circulação de vírus respiratórios, à baixa humidade do ar e à maior permanência em ambientes fechados, o que favorece a transmissão de agentes patogénicos.
Adicionalmente, a redução da exposição à luz solar, alterações nos padrões de sono, aumento do stress e diminuição da ingestão de nutrientes essenciais podem ainda comprometer a eficácia das respostas imunitárias inata e adaptativa, aumentando a suscetibilidade a infeções respiratórias.
Onde encontrar estes minerais na alimentação?
Antes de considerar suplementação, vale a pena olhar para a alimentação. Muitos oligoelementos estão presentes em alimentos do dia a dia:
- Zinco: ostras e marisco, carnes vermelhas, leguminosas (como feijão e grão), nozes, sementes de abóbora;
- Selénio: castanha-do-brasil, peixe e marisco (camarão, atum, sardinha), ovos.
- Ferro: carnes vermelhas, vísceras (fígado é altamente rico em ferro), peixes e crustáceos, espinafres, leguminosas (feijão, lentilhas);
- Cobre: fígado, marisco (como ostras e mexilhão), frutos secos, sementes e leguminosas.
Uma alimentação variada e equilibrada continua a ser a fundamental. A suplementação pode ser útil, mas deve ser orientada e personalizada, nunca uma substituição de hábitos saudáveis.
Quando faz sentido pensar em realizar análises?
Não existem diretrizes que recomendem a avaliação rotineira dos níveis destes oligoelementos. No entanto, em determinadas situações clínicas, o seu doseamento pode constituir uma ferramenta diagnóstica relevante, nomeadamente:
- Suspeita clínica de défice ou excesso de oligoelementos;
- Pacientes com nutrição parenteral de longa duração;
- Doenças gastrointestinais crónicas ou intervenções que comprometam a absorção de nutrientes, incluindo doença celíaca, doença inflamatória intestinal, síndrome do intestino curto, cirurgia bariátrica, ou administração de fármacos que interfiram na sua absorção;
- Infeções recorrentes, especialmente do trato respiratório superior;
- Dietas restritivas.
Nestes contextos, a avaliação laboratorial permite determinar a presença de défices/excessos de oligoelementos e orientar a implementação de estratégias terapêuticas individualizadas.
Qual o papel do Aqualab
No Aqualab, acreditamos que cada utente deve ter acesso a informação para poder tomar decisões conscientes sobre a sua saúde.
A avaliação laboratorial de oligoelementos essenciais como zinco, selénio, ferro e cobre permite objetivar o estado nutricional de cada indivíduo. Integrados na avaliação clínica, estes resultados contribuem para a definição da estratégia mais adequada, seja o ajuste da alimentação, o início de suplementação dirigida ou apenas vigilância.
Neste inverno, antes de recorrer a suplementos de forma automática, pode ser importante perceber quais as necessidades do seu organismo. Conte connosco!
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