Artigos de Blog

O papel dos oligoelementos na imunidade durante o inverno

5 Janeiro 2026

Com a chegada do inverno, observa-se um aumento da demanda por suplementos alimentares destinados a “reforçar o sistema imunitário”. No entanto, para além das vitaminas, existem outros nutrientes fundamentais que desempenham um papel essencial na defesa do organismo: os oligoelementos.

O que são oligoelementos?

Os oligoelementos são minerais exigidos em quantidades muito pequenas pelo organismo, mas que são fundamentais para o funcionamento de diversas vias metabólicas e processos imunológicos. Atuam também como cofatores enzimáticos, participam em reações redox e são indispensáveis para a ativação e proliferação de células do sistema imunitário.  

Mesmo défices nutricionais de pequena magnitude podem comprometer os mecanismos de defesa do hospedeiro, aumentando a suscetibilidade a infeções e contribuindo para estados de fadiga acrescida, principalmente nos meses de inverno. 

Entre os oligoelementos, os mais relevantes para a imunidade são o zinco, o selénio, o ferro e o cobre. 

Que funções desempenham? Qual o seu papel no sistema imunitário?

Do ponto de vista fisiológico, os oligoelementos contribuem de várias formas para o fortalecimento do sistema imunitário, entre elas:

  • Manutenção das barreiras físicas (como a pele e mucosas), impedindo a entrada de microrganismos;
  • Regulação de respostas imunes inatas e adaptativas;
  • Modulação de processos redox.

Nestes contextos, os oligoelementos assumem um papel determinante:

  • Zinco: essencial na proliferação celular, na maturação de linfócitos e células NK e na atividade de enzimas antioxidantes que protegem as células contra o stress oxidativo.
  • Selénio: potente ação antioxidante capaz de proteger as células contra a ação de radicais livres, facilita a ativação e proliferação dos linfócitos T, potenciando a resposta antiviral.
  • Ferro: essencial para o transporte de oxigénio, contribui para a regulação de citocinas, para a atividade de enzimas que permitem às células imunes eliminar microrganismos e para a proliferação de linfócitos. Tanto o défice como o excesso de ferro podem comprometer a função imunitária;
  • Cobre: participa em múltiplas reações enzimáticas e apoia mecanismos de defesa contra microrganismos.

O estado nutricional destes oligoelementos exerce um papel central na eficácia das respostas imunitárias, sendo que tanto a deficiência como o excesso podem prejudicar o organismo. Por este motivo, garantir um aporte adequado, preferencialmente através de uma alimentação equilibrada ou, quando clinicamente indicado, por suplementação, é fundamental para a manutenção do sistema imunitário, especialmente em períodos de maior suscetibilidade a infeções.


Porque é que no inverno aumenta o risco de défices?

Durante o inverno, o sistema imunitário enfrenta desafios acrescidos devido ao aumento da circulação de vírus respiratórios, à baixa humidade do ar e à maior permanência em ambientes fechados, o que favorece a transmissão de agentes patogénicos.
Adicionalmente, a redução da exposição à luz solar, alterações nos padrões de sono, aumento do stress e diminuição da ingestão de nutrientes essenciais podem ainda comprometer a eficácia das respostas imunitárias inata e adaptativa, aumentando a suscetibilidade a infeções respiratórias.


Onde encontrar estes minerais na alimentação?

Antes de considerar suplementação, vale a pena olhar para a alimentação. Muitos oligoelementos estão presentes em alimentos do dia a dia:

  • Zinco: ostras e marisco, carnes vermelhas, leguminosas (como feijão e grão), nozes, sementes de abóbora;
  • Selénio: castanha-do-brasil, peixe e marisco (camarão, atum, sardinha), ovos.
  • Ferro: carnes vermelhas, vísceras (fígado é altamente rico em ferro), peixes e crustáceos, espinafres, leguminosas (feijão, lentilhas);
  • Cobre: fígado, marisco (como ostras e mexilhão), frutos secos, sementes e leguminosas.

Uma alimentação variada e equilibrada continua a ser a fundamental. A suplementação pode ser útil, mas deve ser orientada e personalizada, nunca uma substituição de hábitos saudáveis.


Quando faz sentido pensar em realizar análises?

Não existem diretrizes que recomendem a avaliação rotineira dos níveis destes oligoelementos. No entanto, em determinadas situações clínicas, o seu doseamento pode constituir uma ferramenta diagnóstica relevante, nomeadamente:
  • Suspeita clínica de défice ou excesso de oligoelementos;
  • Pacientes com nutrição parenteral de longa duração;
  • Doenças gastrointestinais crónicas ou intervenções que comprometam a absorção de nutrientes, incluindo doença celíaca, doença inflamatória intestinal, síndrome do intestino curto, cirurgia bariátrica, ou administração de fármacos que interfiram na sua absorção;
  • Infeções recorrentes, especialmente do trato respiratório superior;
  • Dietas restritivas.

Nestes contextos, a avaliação laboratorial permite determinar a presença de défices/excessos de oligoelementos e orientar a implementação de estratégias terapêuticas individualizadas.

Qual o papel do Aqualab

No Aqualab, acreditamos que cada utente deve ter acesso a informação para poder tomar decisões conscientes sobre a sua saúde. 

A avaliação laboratorial de oligoelementos essenciais como zinco, selénio, ferro e cobre permite objetivar o estado nutricional de cada indivíduo. Integrados na avaliação clínica, estes resultados contribuem para a definição da estratégia mais adequada, seja o ajuste da alimentação, o início de suplementação dirigida ou apenas vigilância.

Neste inverno, antes de recorrer a suplementos de forma automática, pode ser importante perceber quais as necessidades do seu organismo. Conte connosco!