Dengue: porque é importante falar desta doença antes e depois de viajar?
A dengue é, atualmente, a arbovirose de transmissão vetorial com crescimento mais rápido a nível mundial, representando um problema de saúde pública crescente não só nas regiões tropicais e subtropicais historicamente endémicas, mas também no contexto europeu, incluindo Portugal, devido à expansão geográfica dos vetores competentes e às alterações climáticas.
O que é a dengue?
A dengue é uma doença infeciosa causada pelo vírus da dengue (DENV). Existem quatro serotipos do vírus e a infeção por um deles confere proteção apenas contra esse mesmo serotipo. Por isso, uma pessoa pode contrair dengue mais do que uma vez ao longo da vida, sendo que uma segunda infeção por um serotipo diferente pode aumentar o risco de formas graves da doença.
Atualmente, a dengue é uma das doenças virais com maior impacto mundial, estando presente em mais de 100 países. O aumento do número de casos observado nos últimos anos reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da vigilância epidemiológica.
Como se transmite?
As alergias correspondem a respostas imunológicas desproporcionadas do sistema imunitário a A dengue é transmitida principalmente pela picada de mosquitos fêmeas do género Aedes infetados. Após picarem uma pessoa com o vírus em circulação no sangue, os mosquitos tornam-se capazes de transmitir a infeção após um período de cerca de 8 a 12 dias, permanecendo infeciosos durante toda a sua vida.
No ser humano, os sintomas surgem habitualmente entre 4 e 10 dias após a picada de um mosquito infetado, embora este período possa variar entre 3 e 14 dias. Durante a fase de viremia, que geralmente coincide com os primeiros dias da doença, a pessoa infetada pode transmitir o vírus a outros mosquitos, perpetuando o ciclo de transmissão.
Embora a transmissão por mosquitos seja, de longe, a mais frequente, existem formas raras de transmissão não vetorial descritas na literatura.
A prevenção continua a depender sobretudo do controlo do mosquito vetor, da eliminação de locais com água parada e da proteção individual contra as picadas.
Quais são os sintomas da dengue?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a dengue em três formas: dengue sem sinais de alarme, dengue com sinais de alarme e dengue grave.
Na maioria dos casos, a dengue provoca febre alta de início súbito, dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos, dores musculares e articulares, cansaço e, por vezes, erupção na pele. A maioria das pessoas recupera ao fim de uma a duas semanas.
Os sinais de alarme surgem geralmente quando a febre começa a baixar e devem motivar observação médica urgente. Os principais são:
· Dor abdominal intensa;
· Vómitos persistentes;
· Hemorragias, como sangramento das gengivas ou do nariz;
· Sonolência, confusão ou irritabilidade;
· Dificuldade em respirar ou aumento do volume abdominal.
Estes sinais podem indicar evolução para dengue grave, uma forma da doença que pode causar hemorragias importantes, choque e falência de órgãos, exigindo tratamento hospitalar. O reconhecimento precoce destes sinais e a instituição atempada de tratamento são fundamentais para reduzir o risco de complicações e de morte.
Existe dengue em Portugal e na Europa?
Em 2012, a Madeira registou o primeiro surto autóctone de dengue em Portugal e o maior ocorrido na Europa nas últimas décadas. Em 2025, foram identificados novos casos autóctones, confirmando que o mosquito Aedes aegypti, principal vetor da doença, continua presente na ilha e que existe potencial para a ocorrência de novos episódios de transmissão.
Em Portugal continental, este mosquito não está estabelecido, mas o Aedes albopictus, também capaz de transmitir a dengue, já foi identificado em algumas regiões e continua a expandir-se na Europa.
A maioria dos casos de dengue em Portugal continua a ser importada de países onde a doença é endémica. No entanto, o aumento das viagens internacionais e a expansão dos mosquitos vetores reforçam a importância da vigilância epidemiológica, do controlo dos vetores e da deteção precoce de novos casos.
Como prevenir?
Não existe um tratamento antiviral específico para a dengue, pelo que a prevenção continua a ser a principal estratégia para reduzir o risco de infeção. As medidas mais eficazes passam pelo controlo dos mosquitos e pela eliminação de locais com água parada, onde estes se reproduzem.
A proteção individual é igualmente importante, sobretudo para quem viaja para áreas endémicas. Recomenda-se a utilização de repelentes, roupa que cubra braços e pernas e, sempre que possível, redes mosquiteiras ou outras barreiras físicas contra os mosquitos.
Existem atualmente vacinas contra a dengue, mas a sua utilização não é indicada para toda a população. A decisão de vacinar deve ser individualizada, tendo em conta o destino da viagem, o risco de exposição e as recomendações em vigor.
Assim, para a maioria dos viajantes, evitar a picada do mosquito continua a ser a medida de prevenção mais importante. Se surgir febre durante a viagem ou nas semanas após o regresso de uma zona endémica, é aconselhável procurar assistência médica e informar sobre o historial de viagem.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da dengue depende do tempo de evolução da doença em consonância com a avaliação clínica, o histórico de viagens e os estudos laboratoriais. Nos primeiros dias após o início dos sintomas, os métodos mais utilizados são a deteção do material genético do vírus (RT-PCR) e do antigénio NS1, que permitem confirmar a infeção ainda durante a fase de viremia.
A partir do quinto ao sétimo dia de doença, a resposta imunitária torna-se detetável e o diagnóstico passa a basear-se sobretudo na pesquisa de anticorpos (IgM e IgG). No entanto, estes testes podem apresentar reações cruzadas com outros flavivírus.
Em pessoas com febre após uma viagem a uma zona endémica, esta infeção deve ser considerada entre as principais hipóteses de diagnóstico. Nestes casos, é igualmente importante excluir outras doenças, como a malária, que exige diagnóstico e tratamento urgentes.
Em Portugal, a dengue é uma doença de notificação obrigatória. Os casos suspeitos e confirmados são comunicados às autoridades de saúde através do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE).
O papel do Aqualab
O laboratório é fundamental para confirmar o diagnóstico, uma vez que os sintomas podem ser semelhantes aos de outras doenças infeciosas. A escolha da metodologia correta é essencial para um diagnóstico atempado.
No Aqualab, disponibilizamos os exames laboratoriais indicados para a confirmação do diagnóstico da dengue.
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Fontes:
SNS 24. Dengue
Disponível em: https://www.sns24.gov.pt/pt/tema/doencas-infecciosas/dengue/
DGS – Direção-Geral da Saúde. Orientação para a prevenção e controlo de mosquitos invasores do género Aedes
Disponível em: https://www.cm-santiagocacem.pt/wp-content/uploads/Orientacao-para-a-prevencao-e-controlo-de-mosquitos-invasores-DGS.pdf
OMS – Organização Mundial da Saúde. Dengue and severe dengue
Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/dengue-and-severe-dengue
ECDC – European Centre for Disease Prevention and Control. Historical data on local transmission of dengue in the EU/EEA
Disponível em: https://www.ecdc.europa.eu/en/all-topics-z/dengue/surveillance-and-disease-data/autochthonous-transmission-dengue-virus-eueea-previous-years
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