Calprotectina Fecal

Aqualab Signature Calprotectina Fecal

Calprotectina

Cerca de 2 milhões de pessoas na Europa sofrem de Doenças Inflamatórias Intestinais (DII). Estas compreendem um grupo específico de doenças, no qual se inclui a doença de Crohn e a colite ulcerosa, patologias crónicas e incuráveis do tracto intestinal, marcadas por episódios recorrentes de inflamação do tracto gastrointestinal. Os sintomas são angustiantes, embaraçosos e debilitantes, sendo um indicador importante de actividade da doença, mas têm a dificuldade da subjectividade e podem-se parecer muito com outras condições de origem funcional, como a Síndrome do Intestino Irritável, o que torna dificil um diagnóstico correcto.

A endoscopia com biópsia é o exame por excelência, «o golden standard» da monitorização da Inflamação Intestinal. No entanto, foi recentemente introduzido na Europa, um novo marcador, simples, rápido, sensível, específico, acessível e não invasivo para a deteção e acompanhamento da DII. Trata-se da Calprotectina, proteína amplamente distribuida no organismo, transportadora de cálcio e zinco, pertencente ao grupo da S100 e derivada predominantemente dos neutrófilos. Níveis elevados de Calprotectina têm sido constantemente detectados nas fezes de pacientes com DII ativa.

A Calprotectina é uma proteína de 36 kDa abundante no citoplasma dos neutrófilos e, em menor quantidade, também nos monócitos e macofagos reativos. As funções conhecidas da Calprotectina estão associadas aos processo de defesa através da ação do zinco (apresenta atividade antibacteriana e antifúngica). Pode ser detetada em praticamente todos os liquidos biológicos e a sua concentração está diretamente correlacionada com o grau de inflamação na amostra. Os seus níveis plasmáticos elevam-se 5 a 40 vezes na presença de processos infeciosos e inflamatórios. Em amostras de fezes, a Calprotectina apresenta-se como um bom marcador biológico por permanecer muito estável, por até sete dias à temperatura ambiente, e resistente à degradação proteolítica das fezes.

Na inflamação intestinal, perde-se a função barreira da mucosa intestinal e ocorre a migração dos granulócitos neutrófilos através da parede para o lúmen intestinal, levando à elevação da concentração de Calprotectina nas fezes. O nível de Calprotectina fecal correlaciona-se diretamente com a quantidade de granulócitos neutrófilos e outras células de defesa no lúmen intestinal. Como tal, as concentrações de Calprotectina encontram-se elevadas em Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) e também, em menor proporção noutras situações como neoplasias e pólipos. Os níveis de Calprotectina nas fezes são aproximadamente 6 vezes mais elevados do que os encontrados no sangue, o que a torna um bom marcador de inflamação intestinal.

Vários autores indicam que a Calprotectina pode ser utilizada para a discriminação entre os pacientes que necessitam de estudos mais invasivos como a colonoscopia e que, quando utilizado um ponto de corte de 50 µg/g de fezes, a colonoscopia pode deixar de ser feita em até 50% dos pacientes, indo até 67% dos pacientes, quando utilizado o ponto de corte de 100 µg/g de fezes.

Por ser um método não invasivo, a utilização deste parâmetro vem crescendo nos últimos anos e a sua adaptação a equipamentos totalmente automatizados tornam-no um método mais simples e preciso, que tende a ganhar mais espaço como ferramenta de apoio ao diagnóstico.

Para o doseamento da Calprotectina fecal é necessário enviar uma amostra recente de fezes em frasco sem conservantes. O doseamento da Calprotectina fecal é realizado no AQUALAB por metodologia ELiA e o resultado está disponível em 7 dias.