Perguntas Frequentes

  • Análise Clínicas

    • Infecções Urinárias

      • 1. Causa das Infecções Urinárias

         

        As infecções urinárias são causadas por bactérias que normalmente existem na vagina e intestino, são mais frequentes nas mulheres que nos homens. Nas mulheres, o ânus encontra-se muito perto da abertura da uretra, que é o tubo que leva a urina para fora do corpo. A proximidade destes dois orifícios facilita a passagem das bactérias da vagina e ânus para a uretra e daí para a bexiga. Também durante o acto sexual, pelo seu movimento, poderão ser transportadas para a bexiga.

         

      • 2. São comuns?

        Alguns estudos dizem que cerca de 43% das mulheres entre os 14 e os 61 anos, têm pelo menos uma infecção urinária. Estas infecções são mais frequentes em mulheres sexualmente activas, entre os 20 e os 50 anos ou naquelas com diabetes ou que tenham outras doenças que levem a uma diminuição da imunidade.
      • 3. O aparelho urinário protege-nos das infecções?

        O aparelho urinário liberta o corpo de algumas toxinas produzidas diariamente. A urina é filtrada pelos rins, depois passa para os ureteres e daí para a bexiga e para a uretra.
        A saúde do aparelho urinário é fundamental nas mulheres de todas as idades para evitar infecções e permitir as relações sexuais.
        Os espermicidas e os diafragmas podem aumentar o risco de infecção urinária. se pertence a este grupo, fale com o seu médico sobre a possibilidade de outra forma de planeamento familiar.

      • 4. Quais os sintomas de uma infecção urinária?

        Os sintomas mais comuns de infecção urinária incluem:
        • Vontade súbita de urinar;
        • Necessidade de urinar mais frequentemente do que o habitual;
        • Sensação de ardor, caimbras ou dor desconfortável quando se urina ou logo a seguir;
        Sobretudo nas mulheres mais velhas, as infecções urinárias, afectam mais frequentemente o aparelho urinário inferior sendo chamadas de infecções da bexiga ou cistites. A incontinência urinária também pode ser um sintoma.
      • 5. Qual a gravidade de uma infecção urinária?

        Na maioria dos casos as infecções urinárias tratam-se fácil e rapidamente. Uma infecção não tratada, no entanto, pode tornar-se numa situação séria ao envolver o rim. Como tal, as mulheres com infecções urinárias de repetição (isto é, mais do que três episódios por ano) devem tomar antibióticos por períodos mais prolongados ou podem necessitar de antibióticos endovenosos.
      • 6. Deve procurar-se um médico?

        Deve procurar-se um médico para fazer o correcto diagnóstico e tratamento da doença. Várias doenças, nomeadamente as doenças sexualmente transmissíveis, podem ter sintomas semelhantes às infecções urinárias mas tratamentos diferentes. Um teste de urina (exame microbiológico de urina) poderá ser necessário para confirmar se há infecção, ou analisar qual é o microrganismo responsável, mas se esta for pouco frequente, ou rara, poderá não ser necessário.
      • 7. Qual o antibiótico mais adequado?

        Em geral, o melhor antibiótico para uma infecção urinária é aquele que cura e tem poucos efeitos secundários. A decisão de escolher um antibiótico em vez de outro depende de vários factores, nomeadamente da eficácia do antibiótico, efeitos colaterais, preço e resistência bacteriana. O seu médico provavelmente vai-lhe perguntar várias coisas antes de o prescrever, nomeadamente:
        • Está a tomar a pílula?
        • Está a tentar engravidar?
        • Está grávida ou a amamentar?
        • É alérgico à penicilina ou a outros medicamentos?
        • Teve efeitos secundários com antibióticos no passado?
        • Tomou algum antibiótico que não fosse eficaz?
        • Está a tomar outra medicação?
        • Tem outras doenças médicas coexistentes (nomeadamente do rim, fígado ou pulmão)?
      • 8. Vou ter efeitos secundários?

        Tal como os outros medicamentos, os antibióticos produzem efeitos colaterais, embora sejam raros e pouco duradouros. Os mais comuns são náuseas, dor de cabeça, tonturas, sensibilidade à luz. Os antibióticos podem desequilibrar o nível de bactérias que normalmente temos no corpo, provocando diarreia ou infecções, por exemplo, a fungos. O mais importante é avisar o médico de quaisquer efeitos secundários que surjam e discutir com ele o problema.

      • 9. Tenho de tomar toda a medicação?

        Em infecções isoladas ou esporádicas o médico prescreve entre um a três dias de terapêutica e em infecções mais frequentes a terapêutica antibiótica oral pode ser prescrita por duas semanas ou mais, dependendo do tipo de fármaco escolhido. O tratamento é feito durante oito semanas a seis meses quando se opta por fazer profilaxia de novas infecções urinárias. Deve beber muitos líquidos durante o tratamento. Tome atenção se o antibiótico deve ser tomado com alimentos ou em jejum e não pare o medicamento antes do fim do tratamento, mesmo que se sinta melhor ao fim de alguns dias, pois a infecção pode não estar totalmente debelada e apanha outra infecção.

      • 10. Como prevenir a infecção urinária?

        Damos-lhe algumas sugestões para prevenir as infecções urinárias.
        • Beba pelo menos oito copos de água por dia para diluir a concentração de bactérias no aparelho urinário (isto é particularmente importante em mulheres que trabalham fora de casa e que tendem a restringir a ingestão de líquidos durante o dia);
        • Urine frequentemente (de 2 em 2 ou de 3 em 3 horas) ou sempre que sentir vontade;
        • Evite usar roupa justa e escolha roupa interior em algodão;
        • Mantenha uma boa higiene diária: limpe a área à volta da vagina e ânus após urinar e defecar, tendo o cuidado de limpar da frente para trás para evitar contaminação;
        • Se estiver na menopausa peça ao seu médico informações sobre tratamentos estrogénicos para a atrofia vaginal e uretral, numa tentativa de diminuir o risco de infecções urinárias. As mulheres sexualmente activas devem tomar algumas precauções: lavar as mãos e região púbica antes do acto sexual e urinar após este.
      • 11. Como é colhida a amostra de urina para exame microbiológico?

        A amostra da primeira urina da manhã é a preferida. No entanto, a urina pode ser colhida em qualquer altura.
         
        Devido à possibilidade de contaminar a urina com bactérias e células da pele das áreas circundantes durante a colheita (particularmente nas mulheres), é importante primeiro limpar os genitais. Assim que começar a urinar, deixe alguma urina cair na sanita (esta primeira porção do fluxo lava por arrastamento a maioria dos contaminantes da uretra), recolha então a porção média da urina no contentor estéril fornecido (a porção média representa a flora da bexiga), e rejeite o resto para a sanita. Este tipo de colheita é conhecido por urina do jacto médio.
      • 12. Do Laboratório telefonaram-me para informar que necessitam de uma nova amostra de urina, porque a primeira estava contaminada. O que aconteceu?

         
        Se a pele e a área genital não forem bem limpas antes da colheita, na cultura da urina podem desenvolver-se três ou mais tipos diferentes de bactérias e isso é assumido como sendo uma contaminação. A cultura será rejeitada porque não se pode determinar se as bactérias são originárias do trato urinário ou do exterior.
        Uma amostra contaminada pode ser evitada se seguir as instruções para se limpar cuidadosamente antes da colheita e colher a urina pela técnica do jacto médio.
      • 13. O meu médico disse que eu tinha sintomas de uma infecção urinária e prescreveu-me antibióticos sem fazer uma urocultura. Porquê?

        A razão para isso é porque a maioria das infecções urinárias são causadas por bactérias conhecidas como Escherichia coli (E. coli). Este microrganismo é geralmente sensível a uma variedade de antibióticos, tais como o trimetoprim-sulfametoxazol, ciprofloxacina, e nitrofurantoína. Na maioria dos pacientes com infecções não complicadas do tracto urinário, esta será resolvida após terapêutica empírica com um destes antibióticos.

    • Doenças da Tiróide

      • 1. O que é a Tiróide ?

        É uma pequena glândula com cerca de cinco centímetros de diâmetro, situada no pescoço sob a pele e por baixo da maçã-de-adão.
        Tem a forma semelhante a uma borboleta e é constituída por dois lobos, direito e esquerdo, unidos por uma porção central chamada istmo. Cada lobo tem aproximadamente 4 cm de comprimento e 1 a 2 de largura.

      • 2. O que faz a tiróide?

        Esta glândula tem um papel muito importante, já que controla o metabolismo do organismo, ou o que é o mesmo, a velocidade a que o organismo utiliza a energia.
        Isso é feito através da síntese das hormonas tiroideias, Tiroxina (T4) principalmente, e Triiodotironina ou (T3), que viajam através da corrente sanguínea a todas as partes do organismo.
        Além disso, a glândula tiróide também sintetiza calcitonina, uma hormona que contribui para a regulação dos níveis de cálcio no sangue inibindo a resorção óssea e aumentando a excreção de cálcio através dos rins.
         
      • 3. Para que servem as hormonas tiroideias?

        São essenciais à vida e assumem uma grande importância na regulação do funcionamento do organismo. Exercem vários efeitos a nível de metabolismo, crescimento e desenvolvimento do organismo. Contribuem para a regulação da temperatura corporal, da frequência cardíaca, pressão arterial, funcionamento intestinal, controlo do peso, estados de humor entre outras funções. O sangue transporta-as pela corrente sanguínea a todas as células do corpo onde se ligam a receptores localizados nas células sobre os quais actuam, iniciando uma resposta destas e influenciando o seu metabolismo.
         
        As doenças da Tiróide resultam de alterações da função da glândula, ou seja, quando são produzidas hormonas em quantidade desadequada. Podemos estar perante o Hipertiroidismo quando há um aumento da actividade da glândula, sendo que, o Hipotiroidismo se caracteriza pela diminuição da função da tiróide.
      • 4. Quais são os produtos finais da síntese da glândula tiróide?

        A T4 (Tiroxina) é o principal produto hormonal da glândula tiróide. A maior parte da T4 é armazenada no interior da tiróide, unida a uma proteína denominada tiroglobulina. Quando aumentam as necessidades, a tiróide sintetiza mais T4 e/ou liberta parte da que tem armazenada para a corrente sanguínea.

        A T4 possui uma semi-vida de aproximadamente 2-3 dias e é convertida em T3 nos tecidos periféricos. Aproximadamente 20% da T3 é formada na glândula tiróide, mas cerca de 80% é produzida por conversão da T4 nos tecidos periféricos (particularmente fígado e rins). A T3 tem uma semi-vida de cerca de 1 dia. Depois de produzida, a T3 entra no núcleo das células dos tecidos alvo.
      • 5. Como são transportadas as hormonas da tiróide na corrente sanguínea?

        Uma vez formadas e secretadas, as hormonas da tiróide, ligam-se na corrente sanguínea a três proteínas: a globulina fixadora de tiroxina (TBG) em 75%, a trantiretina (TTR, préviamente designada por pré-albumina transportadora de tiroxina) em 15%, e a albumina em 10%. 
         
        As alterações nos níveis das proteínas transportadoras (como ocorre na gravidez e na doença hepática) afectam os níveis das hormonas tiroideias totais no sangue e resultam em medidas anormais destas.
         
        As hormonas da tiróide circulam no sangue quer como formas ligadas às proteínas quer como formas livres. Normalmente, 0.02% de T4 e 0.3% de T3 são livres. Existe um equilibrio dinâmico em circulação entre estas duas formas. A actividade tecidular das hormonas da tiróide é devida principalmente às hormonas livres, embora alguma hormona ligada esteja também disponível para utilização. Na maioria dos tecidos, a T3 circulante livre (FT3) é a principal responsável pelo efeito biológico e controle da velocidade das funções do organismo.
      • 6. Como é regulada a tiróide?

        O organismo dispõe de um complexo sistema de regulação em "feedback" para controlar a quantidade de T4 e T3 no sangue.  
        Quando as concentrações de hormonas tiroideias no sangue diminuem, o hipótalamo (orgão localizado no cérebro) liberta TRH (hormona libertadora de tirotropina), a qual, por sua vez, actua sobre a hipófise (uma pequena glândula localizada por baixo do hipótalamo, na base do cérebro e quase no centro da cabeça) provocando a libertação de TSH (Tirotropina ou Hormona Estimulante da Tiróide). A TSH estimula a tiróide para que produza e liberte mais hormonas tiroideias.
        Quando os níveis de hormonas tiroideias são elevados, o hipótalamo e a hipófise diminuem a libertação de TRH e TSH respectivamente, de forma a diminuir a produção de T3 e T4 pela tiróide.
        A hipófise e o hipótalamo são assim, uma espécie de sensores, sensíveis ao nível de hormonas tiroideias em circulação.
        Em condições normais a TSH controla a actividade da glândula tiróide. A hipófise responde à necessidade adicional de hormonas da tiróide, secretando TSH, que estimula a produção e secreção das hormonas da tiróide. As quantidades excessivas de T4 e T3 por sua vez, suprimem a secreção de TSH.
         
        Como resultado, o hipertiroidismo primário caracteriza-se pelos níveis elevados de hormonas da tiróide e TSH suprimida, ao passo que o hipotiroidismo primário se caracteriza por alterações inversas. O hipotiroidismo secundário (doença hipofisária ou hipotalâmica) caracteriza-se pela concentração subnormal das hormonas da tiróide e nível subnormal ou inapropriadamente normal de TSH. O hipertiroidismo secundário caracteriza-se pelos níveis elevados de hormonas tiroideias e níveis elevados ou inapropriadamente normais de TSH.
      • 7. O que são e como surgem as doenças da tiróide?

        As doenças da tiróide resultam de alterações da função da glândula que provocam a produção de hormonas em quantidade desadequada.

        As principais perturbações da tiróide são as funcionais, que incluem o hipotiroidismo, no qual há uma síntese insuficiente das hormonas da tiróide o que conduz a um abrandamento do ritmo das funções do organismo e o hipertiroidismo, quando a tiróide produz demasiada quantidade de hormonas tiroideias, e em que existe uma aceleração de todas as funções do organismo.
        As perturbações estruturais abrangem as alterações que provocam o aumento de volume da tiróide, situação que se designa por bócio. A presença de nódulos torna aconselhável a realização de exames médicos que permitam a identificação daqueles que, sendo malignos, necessitam de atenção especial.
      • 8. Quais são os sinais e sintomas?

        O hipotiroidismo, em geral, não apresenta sintomas, só sendo diagnosticável através da realização de análises. Quando é mais acentuado, os sinais de alerta consistem em :
        • Dificuldade em pensar;
        • Aumento da sensibilidade ao frio;
        • Fadiga;
        • Cansaço fácil;
        • Pele seca, cabelo fino e quebradiço;
        • Aumento de peso;
        • Pálpebras e língua inchadas;
        • Obstipação;
        • Períodos menstruais irregulares (nas mulheres);
        Nas crianças, o hipotiroidismo pode provocar um atraso no crescimento e no desenvolvimento sexual normal, assim como atraso mental. É por esta razão, porque existe um tratamento eficaz, e porque a sua detecção precoce minimiza possíveis complicações, que é uma das doenças que faz parte das provas do "sreening" neonatal.
         
        O hipertiroidismo caracteriza-se por:
        - Palpitações, nervosismo, ansiedade, irritabilidade, insónias;
        - Aumento da frequência cardíaca (> 100 por minuto);
        - Tremor das mãos;
        - Perda de peso apesar de apetite aumentado;
        - Hipersudorese e intolerância ao calor;
        - Queda de cabelo, pele fina e alteração das unhas;
        - Diarreia;
        - Irritação ou inchaço em redor dos olhos;
        - Olhar vivo, fixo e/ou olhos proeminentes (olhos saltões);
        - Sensibilidade à luz ou alterações visuais;
      • 9. Existem alguns factores de risco?

        As doenças da tiróide são muito comuns, mas são mais frequentes no sexo feminino e aumentam com o avançar da idade.

        A prevalência do hipertiroidismo nas mulheres é de aproximadamente 1,3%, aumentando para cerca de 4 a 5% nas mulheres idosas.
        A doença de Graves é uma variante do hipertiroidismo resultante de uma doença autoimune e é mais frequente nas mulheres jovens. Pelo contrário, o bócio multinodular tóxico (com hipertiroidismo) é mais frequente nas idosas.

        No que diz respeito ao hipotiroidismo, a sua frequência nas mulheres é 5 a 8 vezes maior que nos homens.

        A deficiência em iodo, comum durante a gravidez e a infância, pode causar doença da tiróide.

      • 10. Quais as doenças da tiróide mais comuns?

        As mais comuns são:
         
        Doença de Graves - É a causa mais frequente de hipertiroidismo. É uma desordem crónica de natureza autoimune na qual o sistema imunitário da pessoa afectada deixa de se reconhecer a si mesmo e começa a produzir anticorpos que atacam a tiróide, causando inflamação, danos, e a produção de quantidades excessivas de hormonas da tiróide.
         
        Tiroidite de Hashimoto - É a causa mais comum de hipotiroidismo. Tal como a doença de Graves, é uma doença crónica autoimune em que as defesas do organismo deixam de reconhecer a tiróide como fazendo parte do corpo e atacam-na como se fosse uma entidade estranha. Contudo, na tiroidite de Hashimoto, à medida que vai sendo lesada a tiróide deixa de ter capacidade para libertar hormonas em quantidade suficiente estabecendo-se o hipotiroidismo.
         
        Nódulos da Tiróide - Um nódulo da tiróide é um pequeno caroço na glândula tiroideia que pode ser sólido, ou um quisto cheio de líquido. São lesões muito frequentes, podendo ser diagnosticadas por palpação cervical ou através de ecografia. Pelo menos uns 4% das mulheres e 1% dos homens terão no mínimo um nódulo tiroideu ao longo da sua vida; a grande maioria deles são benignos. No entanto, em algumas ocasiões, os nódulos tiroideus podem ser cancerosos. O diagnóstico diferencial destes só pode ser efectuado por biopsia aspirativa por agulha fina e citologia do aspirado.
         
        As Tiroidites - Constituem um grupo de situações clínicas caracterizadas pela inflamação da tiróide e que podem estar associadas tanto a hipo- como a hipertiroidismo. Com frequência causam dor na garganta, mas outras vezes não. As principais causas são: autoimunitárias, infecções, exposição a produtos químicos tóxicos para a tiróide, ou outros motivos desconhecidos. Em função da causa, poderá ser aguda, transitória ou crónica.

         
        Cancro da Tiróide - O cancro da Tiróide é muito pouco frequente, afectando 1 em cada 1.000 pessoas. Básicamente existem quatro tipos de cancro da tiróide:
        • Cancro papilar - Compreende aproximadamente 60 - 70% de todos os cancros da tiróide. Este tipo de cancro é mais frequente nas mulheres que nos homens, e especialmente em gente jovem;
        • Cancro folicular - Responsável por aproximadamente 15% do total de casos. É a forma mais agressiva que afecta geralmente mulheres em idade avançada.
        • Cancro anaplásico - Também afecta principalmente mulheres em idade avançada. Representa 5% dos cancros da tiróide. è uma forma muito agressiva e de dificil tratamento.
        • Cancro Medular da Tiróide (CMT) - É um tumor neuroendócrino das células parafoliculares ou células C e representa 4% dos carcinomas da tiróide. Uma das características destes tumores é a produção de calcitonina. O CMT pode encontrar-se junto com outros carcinomas de tipo endócrino num síndrome denominado Neoplasia Múltipla Endócrina (MEN).
      • 11. Qual é a frequência do hipotiroidismo?

        O hipotiroidismo é relativamente comum, com uma prevalência de 2-3% na população geral. A idade média, no momento do diagnóstico, é de aproximadamente 55 anos. O hipotiroidismo é bem mais comum nas mulheres; a relação dos indivíduos do sexo feminino para os do sexo masculino é de 10:1. O hipotiroidismo pós-parto, uma fase hipotiroideia transitória, após a gravidez, é encontrado em 5 - 10% das mulheres.
      • 12. O que é o hipotiroidismo subclínico?

        O hipotiroidismo subclínico é uma forma leve e muito mais frequente de hipotiroidismo,geralmente com poucos sintomas ou assintomática. Até 10-20% das mulheres com mais de 50 anos têm hipotiroidismo subclínico. Existe associação com hipercolesterolémia e anormalidades cardíacas subtis. Do ponto de vista bioquímico, os níveis de tiroxina total(T4 total) e de T4 livre são normais, ao passo que o nível de TSH está ligeiramente aumentado.
        Quando tratados com tiroxina, os pacientes passam a sentir-se melhor, e desaparecem as anormalidades cardíacas e lipídicas. Os anticorpos anti-tiroideus, um dos indicadores de doença tiróideia autoimune, podem ajudar a predizer quais os pacientes que progredirão para o hipotiroidismo clínico; recomenda-se que os pacientes com níveis minimamente elevados de TSH sejam submetidos a exames.
      • 13. O que causa o hipotiroidismo?

        O hipotiroidismo pode ser causado por várias desordens. As duas causas mais comuns são a tiroidite linfocitária crónica (doença de Hashimoto), uma forma autoimune de destruição da tiróide, e o hipotiroidismo induzido pelo radioiodo, após tratamento da doença de Graves (hipertiroidismo autoimune).
        A tiroidite pós-parto ocorre em aproximadamente 10% das mulheres; dois terços destas passam por uma fase hipotiroideia transitória (6 - 12 meses) que requer tratamento.
         
        Outras causas menos comuns de hipotiroidismo incluem: tiroidite subaguda, irradiação externa do pescoço, medicamentos (drogas antitiroideias, amiodarona, interferon), doenças infiltrativas, hipotiroidismo central (hipofisário/hipotalâmico), defeitos congénitos e bócio endémico (deficiência de iodo).
      • 14. Quais os melhores testes para a confirmação do diagnóstico de hipotiroidismo?

        Encontram-se à disposição do médico vários testes da função tiroideia, incluindo as determinações de TSH, T4 Total, T3 Total, T4 Livre e T3 Livre.
        Em contexto de ambulatório, apenas um exame é geralmente necessário: a avaliação da TSH. A TSH, sintetizada e secretada pela hipófise anterior, é o indicador mais sensível da função tiroideia. Basicamente, pode dizer-se que: se a TSH é normal, o paciente é eutiroideu; se a TSH está elevada, o paciente tem insuficiência tiroideia primária.
        Deve-se ter algum cuidado ao interpretar os níveis de T4 total. Muitas condições não relacionadas com doença tiroideia conduzem ao aparecimento de níveis baixos ou elevados de T4 total, pois mais de 99% da T4 encontra-se ligada às proteínas, e os níveis de T4 total dependem da quantidade de proteínas transportadoras das hormonas tiroideias que sofrem uma grande variação.
      • 15. Qual o tratamento do hipotiroidismo?

        O tratamento do hipotiroidismo consiste na administração de hormona da tiróide na forma de Levotiroxina (LT4), de forma a fornecer ao organismo a quantidade de hormonas que este se tornou incapaz de produzir.
        Outras preparações de hormonas da tiróide incluem: a triiodotironina (LT3) que é reservada para casos especiais, devido à sua potência e à sua semi-vida curta.
      • 16. Seguimento

        A maioria dos casos de hipotiroidismo são definitivos, não tendo cura.
        No entanto, desde que o tratamento seja bem realizado, as pessoas não terão quaisquer sintomas. A dose de LT4 (Levotiroxina) adequada pode variar ao longo do tempo na mesma pessoa, o que obriga a que o seguimento seja continuado para ajustar a posologia.
        No caso dos pacientes jovens e sadios, sob os demais aspectos, pode-se iniciar a medicação com doses totais de reposição de LT4 (1,6 µg/Kg). Nos pacientes idosos e naqueles com doença cardíaca diagnosticada ou suspeitada, deve-se iniciar a medicação com doses baixas de LT4, que são gradualmente aumentadas a cada 2 - 3 meses, até que a TSH seja normal.
      • 17. Quais as desordens tiroideias mais frequentemente associadas ao hipertiroidismo?

        É importante que se estabeleça a diferença entre as formas primárias e as secundárias de hipertiroidismo. O hipertiroidismo primário deve-se à hiperactividade da glândula tiróide e compreende a grande maioria dos casos. O hipertiroidismo secundário é um problema bem menos comum, que, em raras ocasiões, pode resultar de um tumor hipofisário produtor de hormona estimulante da tiróide (TSH), ou da suplementação excessiva com hormona da tiróide.
        Três formas de hipertiroidismo primário respondem pela grande maioria dos casos:
        1. A doença de Graves
        2. O bócio multinodular tóxico
        3. O nódulo solitário tóxico.
      • 18. Como é feito o diagnóstico do hipertiroidismo primário?

        Como o hipertiroidismo primário resulta da hipersecreção das hormonas da tiróide, os níveis de tiroxina (T4) e/ou triiodotironina (T3) estão elevados. Além disso, a supressão da hipófise resulta num nível baixo ou indetectável de TSH no sangue.
        Posteriormente, poderão ser necessários outros exames para conhecer e diferenciar as causas: determinação de anticorpos, cintigrafia da tiróide ou ecografia.
        Com a cintigrafia tiroideia e no caso da doença de Graves, a distribuição do traçador é homogénea em toda a glândula, ao passo que a distribuição é heterogénea no bócio multinodular e quase completamente restricta a um nódulo nos pacientes com nódulo solitário tóxico.
      • 19. Qual o tratamento do hipertiroidismo?

        Há três tipos de tratamento e o seu médico poderá explicar-lhe os riscos e benefícios de cada um. O objectivo é terminar com a produção excessiva de hormonas da tiróide.
        1. Fármacos anti-tiroideus:
          Em Portugal há fármacos que actuam diminuindo a produção de hormonas da tiróide. Alguns doentes conseguem uma remissão do hipertiroidismo com um tratamento prolongado (12 - 18 meses) embora noutros apenas se consiga um controlo provisório. Podem ter alguns efeitos colaterais (reacções cutâneas, alterações hepáticas, redução de glóbulos brancos) e o seu uso deve ser vigiado e controlado por um endocrinologista.
        2. Iodo radioactivo:
          Resulta numa resolução definitiva do hipertiroidismo. É administrado por via oral (geralmente em cápsulas) e ao entrar nas células da tiróide, destrói-as. O seu efeito máximo é notado 3 - 6 meses após a administração. Ocasionalmente o hipertiroidismo mantém-se e é necessária uma segunda dose. Mais frequentemente, resulta num hipotiroidismo (glândula menos activa) e é preciso ficar a tomar hormona tiroideia de substituição. A dose exacta de Iodo para se conseguir uma função tiroideia normal é dificil de calcular. É utilizado há muito tempo e não tem complicações importantes.
        3. Tratamento cirúrgico:
        Em alguns casos é necessário remover cirurgicamente parte (nódulo tóxico) ou toda a glândula (doença de Graves ou Bócio multinodular tóxico). Se a remoção for completa surge o hipotiroidismo e é necessário tomar hormona tiroideia durante o resto da vida.
      • 20. Quais são algumas das características dos medicamentos antitiroideus?

        A maioria dos tipos de hipertiroidismo, incluindo a doença de Graves, pode ser tratada, de modo eficaz, com drogas antitiroideias do grupo das tionamidas. Estas drogas inibem a síntese das hormonas tiroideias. Aproximadamente 20 - 50% dos pacientes alcançam remissão com estes medicamentos.
        Os efeitos adversos graves são raros, mas é possível a ocorrência de granulocitopenia, rash cutâneo e toxicidade hepática. Para que se possa reduzir tais complicações, é importante monitorizar os testes de função hepática periódicamente e alertar o paciente para que procure o médico, caso venha a apresentar rash cutâneo de início recente, ou algum sinal de infecção. Além disso, pensamos ser necessário a realização de um hemograma completo, com contagem diferencial dos leucócitos, a cada 2-4 semanas, durante a administração de drogas antitiroideias. Um declínio gradual do número de leucócitos pode indicar o início de granulocitopenia.
      • 21. O iodo radioactivo e a cirurgia desempenham papéis importantes no tratamento do hipertiroidismo?

        A forma de tratamento da doença de Graves mais frequentemente usada é o iodo radioactivo. O resultado desejado desta terapia é o hipotiroidismo, devido à destruição completa da glândula, que ocorre, habitualmente, dentro de 2-3 meses. É importante monitorizar os testes de função tiroideia e oferecer L-tiroxina suplementar, uma vez que a glândula é completamente destruída, sobrevindo o hipotiroidismo.
        O iodo radioactivo é, geralmente, bem tolerado, mas pode ocorrer exacerbação dos sinais e sintomas de tirotoxicose, 1 - 2 semanas após a terapia.
        A cirurgia da doença de Graves não é geralmente indicada, mas pode ser apropriada na presença de um nódulo tiroideu que se suspeita tratar-se de um carcinoma.
      • 22. O que é a tiroidite subaguda?

        A tiroidite subaguda é uma inflamação da glândula tiróide que ocorre frequentemente em associação com as infecções do tracto respiratório superior. Os pacientes apresentam, tipicamente, uma glândula dolorosa, de tamanho aumentado. Na história natural desta desordem, uma fase inicial de hipertiroidismo, devido à libertação de hormonas tiroideias a partir dos tirócitos lesados, é seguida por uma fase hipotiroideia e, por último, por um retorno ao eutiroidismo e pela restauração da função glandular normal. Nem todos os pacientes manifestam esta fase. A doença completa geralmente o seu curso em 2 - 3 meses. É apropriado o tratamento sintomático das fases hipertiroideia e hipotiroideia.
      • 23. Qual a história natural da tiroidite subaguda?

        A tiroidite subaguda é provavelmente de origem viral. Embora ocorra quase sempre recuperação clínica, os níveis de tiroglobulina sérica permanecem elevados, e o conteúdo de iodo intratiroideu mantém-se baixo, durante vários meses. Os pacientes também são mais susceptíveis ao hipotiroidismo induzido pelo iodo, posteriormente. Tais achados sugerem a persistência de anormalidades subclínicas, após o episódio de tiroidite subaguda.

      • 24. O que é a tiroidite pós-parto?

        A tiroidite pós-parto é uma desordem frequentemente observada nas mulheres (em cerca de 5 - 10%) após o parto. A causa é desconhecida. O seu curso, como o da tiroidite subaguda, é constituido por três fases:
        uma fase inicial hipertiroideia, seguida, por uma fase intermédia de hipotiroidismo e, posteriormente pelo eutiridoidismo. Esta desordem resolve geralmente dentro de 1 ano ou menos após o parto. Porém, tal como no caso da tiroidite subaguda, os episódios recorrentes podem resultar em hipotiroidismo permanente.
        A tiroidite pós-parto é comum, ocorrendo em cerca de 5-10% das mulheres, durante o puerpério. Ela pode manifestar-se como depressão, e deve ser diferenciada da depressão pós-parto. Muitos outros sinais e sintomas erradamente atribuídos ao nascimento do bebé e aos cuidados para com este, podem estar relacionados com anormalidades na função tiroideia.
      • 25. Qual é a frequência da tiroidite pós-parto?

        Após o parto, 5-10% das mulheres desenvolvem evidência bioquímica de disfunção tiroideia. Cerca de um terço das mulheres afetadas desenvolvem sintomas (geralmente hipotiroidismo) e são beneficiadas por um período de tratamento de 6 a 12 meses com L-tiroxina.
      • 26. Quais as diferenças entre tiroidite subaguda e tiroidite pós-parto?

        As pacientes com tiroidite subaguda apresentam dor na região tiroideia, velocidade de eritrosedimentação elevada e um aumento transitório dos anticorpos tiroideus. A maioria é positiva para o antigénio HLA-B35, e o exame histológico mostra a presença de células gigantes e de granulomas na tiroide.
        Na doença pós-parto não há dor, a velocidade de sedimentação é normal, e os anticorpos tiroideus são positivos tanto antes como depois do episódio. A prevalência dos antigénios HLA-DR3 e HLA-DR5 está aumentada, e o exame histológico mostra infiltração linfocítica da glândula tiroide.
      • 27. Porque é que algumas mulheres desenvolvem tiroidite pós-parto?

        Acredita-se que as mulheres que desenvolvem tiroidite pós-parto sejam portadoras de tiroidite auto-imune assintomática subjacente. Durante a gravidez, o sistema imune materno é parcialmente suprimido, verificando-se um dramático aumento dos anticorpos tiroideus, após o parto. Embora não se acredite que os anticorpos antimicrossomais sejam citotóxicos, eles são, atualmente, o marcador mais fiável da suscetibilidade à doença pós-parto.
      • 28. Nas pacientes portadoras de tiroidite pós-parto, a função tiroideia volta à normalidade, como no caso da tiroidite subaguda?

        Nem sempre. Aproximadamente 20% das mulheres tornam-se permanentemente hipotiróideias, e um número igual apresenta ligeiras anormalidades persistentes.
      • 29. Que testes de Laboratório são essenciais para as desordens da tiróide?

        Depende do tipo de desordem.
         
        O teste mais sensível de disfunção tiroideia é a TSH. Devido à relação log/linear existente entre a TSH e a FT4, não devemos esperar uma FT4 anormal, a não ser quando a TSH é > 10 mUI/L ou < 0.05 mUI/L.
         
        Os anticorpos anti-TPO são o marcador mais sensível para a tiroide autoimune.
         
        A T3 é usada em alguns casos quando é necessário determinar a etiologia do hipertiroidismo [o racio T3/T4 é elevado ( > 20 : 1 ) no caso do hipertiroidismo de Graves].
         
        A TSH mais os anticorpos anti-TPO são importantes nas avaliações das disfunções da tiróide na pré concepção e na gravidez.
         
        A tiroglobulina é usada como um marcador tumoral para o cancro da tiróide.
    • Vitamina D

      • 1. O que é a Vitamina D e como atua no nosso organismo?

        Vitamina D é o nome geral dado a um grupo de compostos lipossolúveis que são essenciais para manter o equilíbrio mineral no corpo. É também conhecida como calciferol. As formas principais são conhecidas como: 
        • vitamina D3 (colecalciferol: de origem animal), formada por ação da luz ultravioleta nos percursores da vitamina D na pele
        • vitamina D2 (ergocalciferol: de origem vegetal), menos potente que a D3
        A vitamina D é metabolizada no fígado para formar 25-hidroxivitamina D ou 25(OH)D; este é o metabolito mais abundante na circulação e serve de indicador da quantidade de vitamina D. 

        No rim, a 25(OH)D é transformada em 1,25-dihidroxivitamina D ou 1,25(OH)2D ou Calcitriol, que é a forma hormonal da vitamina D. A sua secreção é estimulada pela diminuição da quantidade de cálcio sérico ou pelo aumento da hormona da paratiroide (PTH). 

        A principal função da 1,25(OH)2D é manter a homeostase do cálcio, promovendo a mineralização óssea, através do aumento da absorção de cálcio e fósforo provenientes da dieta a nível intestinal e mobilizando cálcio a partir dos ossos.

        Estudos recentes revelam que, além das células do rim, muitas outras possuem a enzima que sintetiza 1,25(OH)2D. Muitas destas células também
        possuem recetores da vitamina D, o que facilita a ação da hormona ativa.
         
         
        No sistema extrarrenal, o calcitriol controla a expressão de mais de 200 genes envolvidos na diferenciação, replicação e imunidade celular. Estas funções da vitamina D são, atualmente, alvo de investigação ativa. 
      • 2. Quais as fontes de Vitamina D?

        A maior fonte de vitamina D do corpo humano é a produção endógena através da exposição à luz solar. A exposição dos braços e pernas à luz do sol durante 5 a 30 minutos entre as 10 e as 15 horas, duas vezes por semana, é muitas vezes, suficiente. Os cremes com proteção solar, tão importantes na proteção contra o cancro da pele, bloqueiam a formação desta vitamina.
         
        Outras fontes naturais ricas em vitamina D são os óleos de fígado de peixe e os peixes de água salgada, tais como as sardinhas, o arenque, o salmão e a sarda. 
         
        Os ovos, a carne, o leite e a manteiga também contêm pequenas quantidades. 
         
        As plantas são fontes fracas e a fruta e os frutos secos não têm qualquer quantidade de vitamina D.  
        A quantidade de Vitamina D no leite humano é insuficiente para cobrir as necessidades infantis.
      • 3. Qual a quantidade de Vitamina D necessária?

        Atualmente, os valores de 25- hidroxivitamina D Total doseados no soro propostos são os seguintes:

        Deficiência <10 ng/mL (0 - 25 nmol/L)

        Insuficiência 10- 30 ng/mL (25 - 75 nmol/L)

        Suficiência 30-100 ng/mL (75 -250 nmol/L)

        Toxicidade >100 ng/mL (> 250 nmol/L)


        Foi estimado que 1 bilião de pessoas em todo o mundo não atingem a concentração ótima mínima de 30 ng/mL.

        No entanto, os especialistas acreditam que a população de todas as faixas etárias poderá precisar de mais vitamina D do que as diretivas atuais recomendam.
      • 4. Quem se encontra em risco de deficiência em Vitamina D?

        • pessoas cuja exposição à luz solar é muito limitada
        • pessoas que têm pele escura
        • adultos com mais de 50 anos
        • pessoas com situações que causam má absorção de gorduras, como pancreatite, fibrose quística, doença celíaca e reseção da vesícula biliar
        • pessoas que têm doença do fígado ou renal ou deficiências enzimáticas
        • pessoas que vivem em climas nórdicos durante o inverno
        • pessoas obesas
      • 5. É verdade que manter níveis suficientes de Vitamina D ajuda a prevenir determinadas doenças e manter um bom estado de saúde geral?

        O papel da vitamina D como regulador dos níveis circulantes de cálcio e fósforo para assegurar a mineralização óssea é bem conhecido.

        As doenças classicamente associadas à deficiência de vitamina D são o raquitismo (nas crianças) e a osteomalácia (nos adultos).

        Atualmente sabe-se que a vitamina D é importante para o funcionamento normal de muitos tipos de células, mas as necessidades de cada tecido e a resposta à vitamina D variam.

        Os diversos efeitos da vitamina D são mediados por recetores que regulam mais de 200 genes. Além dos recetores presentes no intestino e no osso, também foram identificados recetores da vitamina D no cérebro, próstata, mama, cólon, células do sistema imunitário, músculo liso e cardiomiócitos.

        Um número de estudos cada vez maior associa a insuficiência de vitamina D a um maior risco de desenvolvimento de várias patologias, a saber:

        • diabetes tipo 1
        • cancro da mama e outros cancros (na mulher pós-menopausa)
        • fraturas nos idosos, como complicação da osteoporose
        • doença cardiovascular, hipertensão arterial e morte devido enfarte do miocárdio e AVC
        • esclerose múltipla e eventualmente outras doenças autoimunes
      • 6. Quais as recomendações para o doseamento da Vitamina D?

        Este teste é recomendado às pessoas em risco de deficiência de vitamina D e, caso os níveis estejam abaixo de 30 ng/mL (75 nmol/L), deveriam receber suplemento desta vitamina. 

        Recomenda-se o doseamento da 25(OH)D pelo menos 3 meses após o início do tratamento com suplementos (para se atingir um valor estável).

        Os especialistas recomendam ainda o uso de um teste que doseie tanto a 25(OH)Dcomo a 25(OH)D3,ou seja, um teste que doseie a 25-hidroxivitamina D Total, especialmente nos países em que ambas as formas da vitamina D estão disponíveis em suplementos alimentares.
    • O que necessito saber sobre Hepatite B

      • 1. O que é a Hepatite B?

        A Hepatite B é uma doença do fígado, provocada por um vírus.
        A doença faz com que o fígado fique inflamado e deixe de funcionar corretamente. Este órgão desempenha muitas funções importantes, entre as quais, o combate às infecções e hemorragias, elimina os medicamentos, drogas e outras substâncias tóxicas da corrente sanguínea. Também é responsável pelo armazenamento de energia, libertando-a progressivamente entre as refeições ou quando necessário.
      • 2. Qual é a causa da hepatite B?

        A Hepatite B é causada pelo Vírus da Hepatite B (VHB), descoberto em 1965.

        É a mais perigosa das hepatites e uma das doenças mais frequentes do mundo, estimando-se que existam 350 milhões de portadores crónicos do vírus. Estes portadores podem desenvolver doenças hepáticas graves, como a cirrose e o cancro no fígado, patologias responsáveis pela morte de um milhão de pessoas por ano em todo o planeta; contudo a prevenção contra este vírus está ao nosso alcance através da vacina da hepatite B que tem uma eficácia de 95 por cento.

        O vírus provoca hepatite aguda num terço dos atingidos, e um em cada mil infectados pode ser vítima de hepatite fulminante. Em menos de dez por cento dos casos em que a infecção ocorre na idade adulta, a doença torna-se crónica, verificando-se esta situação mais frequentemente nos homens. Em Portugal, calcula-se que existam 150 mil portadores crónicos do VHB.
      • 3. Como posso contrair a Hepatite B?

        O vírus transmite-se através do contacto com o sangue, sémen e fluidos corporais de uma pessoa infectada, da mesma forma que o vírus da imunodeficiência humana (VIH), que provoca a Sida, só que o vírus da hepatite B é 50 a 100 vezes mais infeccioso do que o VIH. 
        Existe também a possibilidade de transmissão de mãe para filho, no momento do nascimento, uma forma de contágio especialmente grave, dada a grande tendência de evolução para a cronicidade e que é muito comum nas zonas hiperendémicas de países em desenvolvimento, onde a maior parte dos infectados contrai o vírus durante a infância. Nos países industrializados, esta faixa etária é a que se encontra mais «protegida» já que a vacina contra a hepatite B faz parte do programa nacional de vacinação de 116 países, Portugal incluído. No mundo ocidental, Europa e América do Norte, o vírus é transmitido, sobretudo, aos jovens adultos por via sexual e através da partilha de seringas e outro material de injecção entre os utilizadores de drogas endovenosas. 
        Resumindo, pode-se contrair a Hepatite B através de:
        • Ter relações sexuais desprotegidas com pessoas infectadas; 
        • Partilha de seringas entre os consumidores de drogas; 
        • Ao realizar uma tatuagem ou perfuração corporal com instrumentos sujos ou mal esterilizados usados previamente com outras pessoas; 
        • Uma picada acidental, com uma agulha contaminada com sangue infectado (o pessoal de saúde pode contrair a Hepatite B desta forma); 
        • Viver com alguém que tenha a hepatite B;
        • Partilha de objectos pessoais (como escova de dentes, lâminas de barbear) com uma pessoa infectada;
          Não se contrai a Hepatite B através de um aperto de mão, de um abraço a uma pessoa infectada, ou se se sentar junto de uma pessoa infectada.
      • 4. Quais são os sintomas da Hepatite B?

        A Hepatite B provoca sintomas muito semelhantes aos de uma gripe, tais como: 
        • Cansaço;
        • Náuseas;
        • Febre; 
        • Perda de apetite;
        • Dores de estômago;
        • Diarreia.
        Algumas pessoas podem ainda apresentar:
        • Ictericia (a pele e olhos apresentarem uma cor amarelada);
        • Fezes de cor clara;
        • Urina com uma cor escura.
        Contudo, algumas pessoas não apresentam nenhum sintoma.
      • 5. Quais os testes para o diagnóstico da Hepatite B?

        Para comprovar se você está infectado com o vírus da Hepatite B, o médico requisita exames laboratoriais ao sangue. Estes exames permitem verificar não só se está infectado ou não , mas também conhecer a etapa ou curso que a infecção está a tomar num dado momento. 

        Para a Hepatite B existem 5 marcadores: 3 anticorpos e 2 antigénios específicos. Estes marcadores surgem no sangue em tempos diferentes. Normalmente, o primeiro a detectar-se é o antigénio HBs (HBsAg ou antigénio de superfície de Hepatite B), que persiste um a três meses e que demonstra a presença do vírus, no organismo. A sua positividade é indicador de infecção activa aguda ou crónica, ou ainda, indica que o paciente é portador assintomático, potencialmente infectante. Um pouco mais tarde (mas às vezes ao mesmo tempo) surge o antigénio HBe (HBeAg), sinónimo de que o agente infeccioso está a multiplicar-se. É nesta fase que é mais elevado o perigo de contágio. 

        Só depois surgem os anticorpos e o primeiro a aparecer, em geral, é o anti-HBc (anticorpo contra o HBcAg). Aparece na infecção aguda e em portadores crónicos, é um marcador infalível de infecção, mais confiável que o antigénio de superfície; em seguida, se as defesas imunitárias do organismo estiverem a funcionar correctamente, surgem o anti-HBe, como resposta ao antigénio HBe. Isto significa que houve uma seroconversão, a multiplicação do vírus diminuiu e, se nada alterar o curso normal, desaparece o antigénio HBs e surge o anticorpo anti-HBs, que permanece no organismo para o resto da vida e confere imunidade. A sua presença significa a resolução da doença e reflecte imunidade. É indicador de vacinação eficaz.

        A presença do antigénio HBe, além das oito semanas, indica que a hepatite está a passar a uma fase crónica. A permanência do antigénio HBs, por mais de seis meses confirma a passagem ao estadio crónico. 

        O significado e interpretação destes marcadores, depende não só de cada um deles, mas da presença ou ausência de todos em conjunto e da sua relação com os dados clínicos. 

        A realização de uma biopsia hepática pode ser necessária nalguns doentes que apresentem indícios da presença do vírus no organismo por mais de seis meses para avaliar a gravidade das lesões do fígado. Como a infecção crónica pelo VHB é uma doença sexualmente transmissível, devem-se fazer análises para detectar a eventual presença do VIH nas pessoas infectadas.
      • 6. Como se trata a Hepatite B?

        A hepatite B aguda é tratada com repouso e aconselha-se o doente a não consumir bebidas alcoólicas e alimentos ou medicamentos que possam ser tóxicos para o fígado. 
        Se a hepatite B evolui para uma doença crónica pode fazer-se o tratamento com interferão. O interferão peguilado, ou peginterferão, veio substituir o interferão clássico. O tratamento com peguinterferão dura, em geral, 12 meses e tem uma eficácia de 36 a 42 %, sendo mais alta nos doentes com transminases mais elevadas e com carga vírica mais baixa. 
        Em alternativa, o tratamento pode ser feito com medicamentos análogos dos nucleósidos, como a lamivudina e o adefovir, que interrompem a multiplicação do vírus e estimulam a destruição das células infectadas, e que por isso têm um efeito antivírico potente mas que necessitam duma administração mais prolongada do que o peginterferão para se obterem taxas de resposta semelhantes. 
        Como com todos os medicamentos, os tratamentos para a hepatite B têm efeitos secundários, pelo que os doentes devem aconselhar-se com o seu médico. 
        Se a hepatite crónica conduzir à cirrose e esta evoluir para a insuficiência hepática, aconselha-se o transplante hepático. Contudo, no caso da hepatite B os riscos de recidiva são muito elevados, pois, não existem formas eficazes de evitar a infecção do novo fígado. Normalmente administra-se imunoglobulina anti-HBs logo após ter-se retirado o fígado do corpo e antes de inserir o novo órgão, para neutralizar o vírus que se encontra no sangue. O doente deve continuar a receber imunoglobulina anti-HBs durante vários anos, para evitar o reaparecimento do antigénio HBs. 
        O doente que vai receber o novo fígado não deve ter mais de 65 anos nem sofrer de uma patologia grave que afecte outro órgão como os rins, os pulmões e o coração.
      • 7. Como me posso proteger?

        Existe uma vacina contra a hepatite B que pode ser tomada por todas as pessoas, mas que não tem qualquer efeito em quem já está infectado pelo vírus. É composta por três doses que são administradas através de injecções intramusculares no prazo de seis meses e regista uma eficácia de 95 por cento. Em Portugal, está incluída no Programa Nacional de Vacinação. Os bebés, filhos de mães portadoras do vírus, devem ser vacinados à nascença, após o que não existe risco de transmissão pelo aleitamento. 

        É necessário que se apliquem todas as injecções para ficar protegido. Se está para viajar para países com uma elevada prevalência de hepatite B, assegure-se de receber todas as injecções antes de viajar.

        A imunidade parece ser duradoura embora limitada no tempo, não havendo necessidade de reforços, pelo menos nos primeiros cinco a dez anos de vacinação. 

        As medidas que também pode tomar para se proteger, a si e às outras pessoas com quem contacta, contra a hepatite B, são: 
        • Usar preservativo nas relações sexuais; 
        • Não partilhar agulhas e seringas usadas, objectos cortantes e perfurantes, nem instrumentos usados para a preparação de drogas injectáveis; 
        • Usar luvas e acessórios de protecção se tiver de estar em contacto com o sangue de outra pessoa; 
        • Não usar objectos pessoais de higiene de outras pessoas, que possam conter vestígios de sangue; 
        • Assegurar-se que na realização de tatuagens, colocação de «piercings» ou perfurações corporais, são usados materiais limpos e adequadamente esterilizados.
    • O que necessito saber sobre Hepatite C

      • 1. O que é a Hepatite C?

        É uma inflamação do fígado provocada por um vírus (vírus da Hepatite C ou HCV), que quando crónica, pode conduzir à cirrose, insuficiência hepática e cancro. 
        É conhecida como a epidemia «silenciosa» pela forma como tem aumentado o número de indivíduos com infecção crónica em todo o mundo e pelo facto de os infectados poderem não apresentar qualquer sintoma, durante dez ou 20 anos, e sentir-se de perfeita saúde. 
        Calcula-se que existam 170 milhões de portadores crónicos (cerca de três por cento da população mundial), dos quais nove milhões são europeus, o que faz com que o VHC seja um vírus muito mais comum que o VIH, responsável pela SIDA. Segundo a Organização Mundial de Saúde, é possível que surjam todos os anos três a quatro milhões de novos casos no planeta. A prevalência do vírus difere de acordo com a região geográfica; enquanto na Europa e na América do Norte os índices de contaminação rondam os dois por cento, em África, no Sudeste Asiático, no Pacífico Ocidental e no Leste do Mediterrâneo as taxas de prevalência são superiores. 
        No mundo ocidental, os toxicodependentes de drogas injectáveis e inaláveis e as pessoas que foram sujeitas a transfusões de sangue e derivados e/ou a cirurgias antes de 1992, são os principais atingidos. Com a descoberta do vírus da imunodeficiência humana – responsável pela SIDA, na década de 80 do século passado, foram adoptadas novas medidas de prevenção e hoje, a possibilidade de contágio com o VHC, numa transfusão de sangue ou durante uma intervenção cirúrgica nos hospitais, é praticamente nula. Esta segurança não está ainda garantida em alguns centros médicos e hospitalares dos países em desenvolvimento. 
        Em Portugal, a hepatite C crónica é já uma das principais causas de cirrose e de carcinoma hepatocelular estimando-se que existam 150 mil infectados embora a grande maioria não esteja diagnosticada. De acordo com um estudo do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, Portugal é um dos países europeus a apresentar as mais elevadas taxas de contaminação deste vírus, que atinge 60 a 80 por cento dos toxicodependentes. 
        Cerca de 20 a 30 por cento dos indivíduos infectados com o VHC recuperam espontaneamente após a infecção aguda pelo VHC, mas os restantes 70 a 80 por cento evoluem para a hepatite crónica e, muitas vezes, sem que se apercebam. Em 20 por cento dos doentes, a hepatite C crónica pode conduzir à cirrose e/ou ao cancro no fígado. Alguns doentes podem desenvolver uma cirrose em poucos anos, enquanto outros podem levar décadas. Entre as possíveis explicações está a idade em que a pessoa foi contaminada (quanto mais tarde, mais grave pode ser a evolução da infecção), as diferenças hormonais (é mais comum no sexo masculino) e o consumo de álcool (que estimula a multiplicação do vírus e diminui as defesas imunitárias). Este tipo de hepatite só excepcionalmente se apresenta como hepatite fulminante.
      • 2. Qual é a causa da hepatite C?

        A hepatite C é causada por um vírus, mais propriamente pelo vírus da Hepatite C ou HCV. Este vírus foi identificado apenas em 1989 e corresponde a cerca de 90% das então chamadas hepatites não-A e não-B.
        O período de incubação é em média de seis a sete semanas. (duas a 26 semanas). Cerca de 85% dos indivíduos que adquiriram a infecção pelo HCV tornam-se infectados cronicamente. Destes, cerca de 70% desenvolvem hepatite crónica. Cerca de 20% a 25% das hepatites crónicas causadas pelo HCV evoluem para cirrose hepática, e dentro os cirróticos cerca de 1-5% desenvolvem cancro primário do fígado. A mortalidade da hepatite crónica pelo HCV é estimada entre 1% e 5%. 
        São importantes factores no agravamento e aceleração das lesões nas hepatites crónicas: 

        • o uso de bebidas alcoólicas;
        • co-infecção com outros vírus (HIV, HAV, HBV);
        • hepatopatias prévias ou concomitantes.
      • 3. Como posso contrair a Hepatite C?

        A hepatite C é transmitida primariamente através do contacto com o sangue de uma pessoa infectada, e com muito menor eficácia através de secreções orgânicas. O vírus tem sido detectado também na saliva, urina, sémen, bilis, porém com baixo potencial de risco de transmissão. 

        Portanto o contágio do HCV dá-se fundamentalmente através de sangue contaminado. 

        Constituem situações de risco, com diferentes potenciais de contágio: 
        • Partilha de seringas e outros instrumentos usados na preparação e consumo de drogas injectáveis e inaláveis; 
        • Exposição a sangue por material cortante ou perfurante de uso colectivo não devidamente esterilizado ou descartável utilizado em procedimentos como («body piercing», tatuagens, acupunctura, manicure/pedicure, barbeiros e cabeleireiros, etc.); 
        • Contacto social ou familiar com objectos de uso pessoal (escovas de dentes, lâminas de barbear, giletes, depiladores, tesouras, etc.);
        • Exposição ocupacional a sangue pelos profissionais da área da saúde (agulhas, acidentes percutâneos); 
        • Não usar preservativos nas relações sexuais quando existem múltiplos parceiros, mas, como a transmissão por via sexual é pouco frequente, o uso nas relações entre cônjuges habitualmente não se justifica; 
        • Recém-nascidos de mães HCV positivas; 
        • Hemodiálise;

        Na ausência de uma vacina contra a hepatite C, o melhor é optar pela prevenção, evitando, acima de tudo, o contacto com sangue contaminado.
      • 4. Quais são os sintomas da Hepatite C?

        Na grande maioria das vezes a doença é assintomática, o que dificulta ainda mais o seu controle e facilita a disseminação na comunidade. O diagnóstico é em geral acidental, sendo feito durante a triagem serológica em doações de sangue, ou para avaliação da possível causa de transaminases alteradas, evidenciadas em exames de rotina. 
        Apenas 25 a 30 por cento dos infectados apresentam, na fase aguda, sintomas de doença que pode manifestar-se por queixas inespecíficas como letargia, mal-estar geral, febre, problemas de concentração; queixas gastrintestinais como perda de apetite, naúsea, intolerância ao álcool, dores na zona do fígado ou o sintoma mais específico que é a icterícia. Muitas vezes, os sintomas não são claros, podendo-se assemelhar aos de uma gripe. O portador crónico do vírus pode mesmo não ter qualquer sintoma, sentir-se saudável e, no entanto, estar a desenvolver uma cirrose ou um cancro hepático.
      • 5. Quais os testes para o diagnóstico da Hepatite C?

        O vírus da hepatite C infecta e danifica o fígado. Em resposta à exposição ao vírus o nosso organismo produz anticorpos contra proteínas do HCV. O teste mais comum para o HCV pesquisa estes anticorpos no nosso sangue. Outros testes existentes detectam a presença do RNA viral, a quantidade de RNA presente, ou determinam o subtipo específico do vírus. 

        Cada um dos testes tem um propósito ligeiramente diferente: 
        • Testes Anti-HCV detectam a presença de anticorpos contra proteínas do vírus, indicando exposição ao HCV. Estes testes não discriminam se o indivíduo testado ainda tem uma infecção viral activa aguda ou crónica ou se se trata de uma cicatriz serológica, apenas que esteve exposto ao vírus no passado. Geralmente o teste é reportado como positivo ou negativo. Há alguma evidência que se o teste fôr fracamente positivo, pode não significar exposição prévia ao vírus HCV. Os resultados fracamente positivos devem ser confirmados com o teste seguinte. 
        • Teste HCV RIBA (imunoblotting) é um teste adicional para confirmar a presença de anticorpos contra o vírus. Na maioria dos casos, ele pode dizer-nos se o o teste anti-HCV positivo foi devido a uma exposição ao HCV (RIBA positivo) ou representa um falso sinal (RIBA negativo). Em alguns poucos casos, os resultados não respondem a essa questão (RIBA Indeterminado). Tal como o teste anti-HCV, o RIBA não nos pode informar se o indivíduo está actualmente infectado, apenas que houve uma exposição ao vírus. 
        • Teste HCV-RNA é feito por técnica de reacção em cadeia da polimerase (PCR) e detecta o RNA do vírus da Hepatite C, indicando se há uma infecção activa pelo HCV. O resultado do HCV-RNA é dado como positivo se é detectado algum RNA viral; caso contrário, o resultado será negativo. Além da sua aplicação como teste confirmatório, o HCV-RNA Qualitativo pode também ser usado no controle da resposta ao tratamento, para verificar se o vírus foi eliminado do corpo após o tratamento. 
        • Carga Viral ou Testes HCV-RNA Quantitativos medem a quantidade de partículas de RNA viral existentes no sangue. Os testes de carga viral são frequentemente usados antes e durante o tratamento para ajudar a determinar a resposta à terapêutica por comparação entre a quantidade de vírus antes e após o tratamento (geralmente 3 meses). 
        • Genotipagem viral é usada para determinar o tipo, ou genótipo, do vírus presente. Há 6 tipos principais de HCV; o mais comum (genótipo 1) responde pior ao tratamento que os genótipos 2 e 3 e geralmente requer terapêuticas mais longas (12 meses versus 6 meses para os genótipos 2 e 3). A determinação do genótipo do HCV é útil, portanto, na definição da estratégia de tratamento, sendo solicitada antes de se iniciar o tratamento para dar uma ideia do sucesso e da duração necessária deste.
      • 6. Que significa o resultado do teste?

        Se o resultado do teste Anti-HCV é positivo, significa que provavelmente foi infectado com o vírus da Hepatite C, mesmo que a infecção tenha sido tão ténue que não se tenha sequer apercebido dela.

        Um teste anti-HCV positivo deve ser confirmado por um teste HCV RIBA, especialmente se o resultado é fracamente positivo. Um RIBA positivo confirma que esteve exposto ao vírus, enquanto um RIBA negativo indica que o seu primeiro teste era provavelmente um falso positivo e que você nunca esteve infectado pelo HCV. 

        Um teste HCV-RNA Qualitativo é frequentemente usado quando o teste de anticorpos é positivo para verificar se a infecção ainda está presente. Um resultado positivo no HCV-RNA significa que você está actualmente infectado pelo HCV.

        Actualmente, entretanto, os testes de RIBA têm tido indicações cada vez mais restrictas na práctica clínica, uma vez que perante um resultado de anti-HCV positivo, por teste imunoenzimático, o procedimento mais favorável do ponto de vista custo-eficácia parece ser a realização dapesquisa do HCV-RNA Qualitativo, que não só confirma a positividade do anticorpo, como também estabelece a presença de virémia actual.
      • 7. Posso ser vacinado contra o HCV?

        Não. Actualmente, não existe vacina disponível. 

        O desenvolvimento de uma vacina tem sido dificil porque o vírus apresenta várias configurações moleculares diferentes, que estão constantemente a alterar-se. Além disso, os anticorpos suscitados pela infecção pelo HCV não são neutralizantes, ou seja, não impedem nova infecção nem significam imunidade. A dificuldade para o desenvolvimento da vacina contra o vírus decorre sobretudo deste comportamento do sistema imunológico frente à infecção pelo HCV.
      • 8. Há tratamento para a Hepatite C?

        Sim, há actualmente algumas drogas que podem ser utilizadas no tratamento da infecção pelo HCV. As mais usadas são uma combinação de duas drogas (interferão peguilado associado à ribavirina)

        Entretanto a eficácia do tratamento depende de vários factores como a sua idade, do genótipo do vírus e da carga viral de HCV que apresenta e do grau de danos que ocorreram no seu fígado, podendo as probabilidades de cura variar de muito baixas a tão elevadas como 80%.
    • Helicobacter pylori e úlcera péptica

      • 1. O que é uma úlcera péptica?

        Uma úlcera péptica é uma ferida no revestimento do estômago ou duodeno, que é o principio do intestino delgado. As úlceras pépticas são comuns: um em cada 10 americanos contraie uma úlcera em algum momento da sua vida. 

        A maioria das úlceras gástricas e úlceras duodenais (úlceras pépticas) é causada por uma bactéria, Helicobacter pylori, mas algumas úlceras são causadas pelo uso prolongado de agentes antiinflamatórios não esteróides (AAINE), como a Aspirina (ácido acetilsalicílico) e o ibuprobeno.
      • 2. O que causa as úlceras?

        Até aos anos oitenta do século vinte, as úlceras pépticas foram consideradas como o resultado da hipersecreção ácida produzida por um transtorno nas células gástricas especializadas. No entanto, em 1983 foi identificada uma bactéria, Helicobacter pylori (H. pylori) que coloniza a mucosa gástrica e tem sido, desde então, associada com a patologia gastroduodenal (gastrites, úlcera péptica especialmente úlceras duodenais e carcinoma gástrico). 

        Embora pudessemos pensar que a comida muito condimentada, especiarias, ácido, e o stress eram as principais causas de úlceras, sabemos agora que nove em cada dez úlceras são causadas pelo H. pylori. Medicamentos que reduzem o ácido do estômago podem fazê-lo sentir-se melhor, ao aliviar os sintomas, mas não curam a úlcera. 

        As boas notícias são - Uma vez que a maioria das úlceras são causadas por esta infecção bacteriana, elas podem então ser curadas com os antibióticos correctos.
      • 3. Quais são os sintomas de uma úlcera?

        O sintoma mais comum é uma dor com uma sensação de ardor ou queimadura no abdómen entre o esterno e o umbigo. 

        A dor ocorre com frequência quando o estômago está vazio, entre refeições e nas primeiras horas do dia, mas pode ocorrer em qualquer outra altura. Pode durar de alguns minutos a várias horas e pode ser aliviada pela ingestão de alimentos ou pelo tomar de medicamentos antiácidos.

        Sintomas menos comuns podem incluir: 
        • Náuseas
        • Vómitos
        • Perda de apetite
        Por vezes as úlceras sangram. Se a hemorragia se prolonga por um longo período, pode levar a anemia com fraqueza e fadiga. Se a hemorragia fôr abundante, pode mesmo surgir sangue no vómito ou a evacuação de fezes sanguínolentas ou negras.
      • 4. Que é o Helicobacter pylori?

        Helicobacter pylori é uma bactéria Gram negativa, com aproximadamente 2.5 µm de comprimento e 4 a 6 flagelos unipolares que permitem ao microrganismo mover-se num movimento helicoidal tipo saca-rolhas.

        O próprio nome Helicobacter pylori reflete a sua morfologia helicoidal ou espiralada (em forma de S) e o local mais comum para o seu isolamento, o piloro estomacal.Identificado em 1983, o H. pylori coloniza a mucosa gástrica e tem sido associado com patologia gastroduodenal, nomeadamente gastrite crónica, doença péptica ulcerosa (sobretudo úlceras duodenais) e ainda adenocarcinoma gástrico e linfoma gástrico primário (MALT). Recentemente, tem sido investigada a sua associação com algumas doenças extra-gastrointestinais como a anemia por deficiência de ferro, a estatura baixa, ou urticária crónica.
      • 5. Qual é a via de transmissão de H. pylori?

        A infecção por H. pylori começa tipicamente na infância como um processo inflamatório do estômago. A aquisição da bactéria decorre a um ritmo de 10% nas crianças entre os dois e os oito anos de idade, pelo que a maioria dos adolescentes está infectada. Embora a transmissão do microrganismo pareça ocorrer de pessoa a pessoa, o modo de transmissão não é totalmente conhecido. Acredita-se que H. pylori é transmitido por via oral-oral ou fecal-oral. Muitos investigadores pensam que ele é transmitido pela ingestão de alimentos ou água contaminados. Para além disso, é possível que a aerofagia e o refluxo gastroesofágico, tão comuns na gastrite, permitam a sua fixação na boca, tornando o contacto oral um meio de transmissão da infecção. O microrganismo tem sido cultivado quer a partir do vómito quer de fezes diarreicas.
      • 6. O que favorece a adaptação do H. pylori ao ambiente gástrico?

        A maioria dos microrganismos são inactivados pela acidez do ambiente gástrico. Contudo, o H. pylori está bem adaptado ao ambiente ácido do estômago humano. Um número de atributos especiais assegura o sucesso da colonização. Estes incluem a capacidade do microrganismo para aderir à parede gástrica, a produção de urease e a presença de flagelos que conferem mobilidade. O H. pylori congrega-se tipicamente em redor das junções intercelulares apertadas das células epiteliais, abaixo da camada mucosa, embora 1/5 dos microrganismos sejam encontrados aderentes à superfície mucosa. A aderência é específica para as células produtoras de mucina gástrica. A motilidade é uma característica importante que permite aos microrganismos penetrar a camada viscosa de muco do estômago e colonizar a mucosa gástrica. 

        H. pylori é o mais potente produtor de urease de todos os micróbios conhecidos. (A urease activa está presente no citoplasma, assim como na superfície e no espaço extracelular da bactéria). Esta enzima hidrolisa a ureia a CO2 e amónia. O microrganismo envolve-se a si próprio numa núvem de amónia, a qual tem um papel significativo na colonização e adaptação ao tamponar o ácido gástrico do microambiente peribacteriano. A elevação do pH resultante cria um microambiente favorável para a bactéria.

        Outro mecanismo adaptativo que permite a esta bactéria colonizar o tracto gástrico humano é a membrana exterior, ou envelope de lipopolissacarídeo (LPS). Este envelope de LPS não origina por parte do hospedeiro a mesma resposta imune vigorosa como ocorre com outros microrganismos Gram negativos. Esta reactividade diminuida pode ser devida à elevada concentração de antigénios do grupo sanguíneo Lewis no LPS, o que permite ao H. pylori imitar as glicoproteínas ou glicolípidos da superfície das células humanas. Esta imitação molecular pode explicar como é que este microrganismo consegue iludir os mecanismos de defesa do hospedeiro, assim como induzir a formação de autoanticorpos com reactividade cruzada, observados em alguns pacientes. É também este estado permanente de inflamação crónica mantido a um nível baixo, com o aumento concomitante de mutações e de apoptose desregulada que pode parcialmente conduzir à maioria das neoplasias gástricas associadas aoH. pylori.
      • 7. Incidência e implicações da infecção pelo H. pylori

        A infecção pelo H. pylori é muito comum. Tem sido postulado que a infecção provocada pelo H. pylori é a infecção crónica mais comum em todo o mundo. estima-se que mais de 50% da população mundial esteja infectada com esta bactéria gástrica. Nos países desenvolvidos, (USA) aproximadamente 20% das pessoas com menos de 40 anos e 50% das pessoas com mais de 60 anos, estão infectadas. Nos países em desenvolvimento a maioria dos adultos (2/3) está infectada

        A prevalência da infecção aumenta com a idade, reflectindo muito provávelmente o chamado efeito de coorte, no qual a variação da idade em que o H. pylori é adquirido irá influenciar o risco de doença ulcerosa. Específicamente, as infecções adquiridas precocemente na vida aumentam o risco de cancro gástrico distal e úlcera gástrica, mas diminui o risco de úlcera do duodeno. Pelo contrário, a aquisição tardia do H. pylori aumenta o risco de úlcera duodenal mas reduz o risco de úlcera gástrica e do cancro do estômago. O estado socioeconómico varia inversamente com a prevalência da infecção, com os indivíduos dos estractos socioeconómicos mais baixos a terem as mais elevadas taxas de infecção.

        H. pylori pode existir na mucosa gástrica durante décadas sem quaisquer sintomas ou doença aparentes. Contudo, histopatológicamente, todos os indivíduos infectados com H. pylori apresentam evidência de gastrite crónica activa. A gastrite é geralmente mais óbvia no antrum, mas pode extender-se para o resto do corpo e cardia.
         
      • 8. Quais são as consequências da infecção por H. pylori?

        A colonização por H. pylori pode conduzir a gastrite activa crónica (inflamação crónica da mucosa do estômago) a primeira etapa do desenvolvimento da úlcera. A transformação para úlcera pode ser facilitada por actividades e hábitos pouco saudáveis como fumar, beber álcool e estar submetido a stress. A infecção por H. pylori está também associado com um aumento de 3-12 vezes do risco de cancro gástrico.
      • 9. Todos os pacientes infectados por H. pylori desenvolvem a doença associada a esta bactéria?

        Não. A maioria das pessoas infectadas não contraiem úlcera. Os dados epidemiológicos mostram que a incidência de doenças associadas ao H. pylori em individuos infectados, varia entre 1 e 10 %.

        As explicações mais prováveis para o desenvolvimento selectivo de gastrite ou de doença ulcerosa péptica em pessoas infectadas por H. pylori incluem diferenças na virulência das estirpes de H. pylori, diferenças genéticas na predisposição humana e factores ambientais e de comportamento.

        [A maioria dos adenocarcinomas gástricos que ocorrem no corpo gástrico e antrum são devidos à infecção pelo H. pylori, contudo menos de 1 % das pessoas infectadas desenvolverá adenocarcinoma].

        A dieta tem também sido estudada como um cofactor ambiental que tem um papel importante na carcinogénese relacionada com o H. pylori. Comidas salgadas, fumadas, etc, estão associadas com um risco aumentado de cancro gástrico enquanto a fruta fresca e vegetais são protectores.
      • 10. É importante realizar testes para detectar a infecção por H. pylori?

        Sim por várias razões. O diagnóstico da infecção pelo H. pylori é impossível com base exclusiva na clínica, já que não existem sintomas clínicos característicos associados. Uma vez detectada, a infecção por H. pylori pode ser eficazmente tratada com antibióticos em esquemas duplos, triplos e até quadruplos, que associam o uso de antibióticos e fármacos antissecretores.

        Conforme foi sugerido do Relatório de Consenso de Maastricht 2-2000, a terapêutica de primeira linha deve ser uma terapêutica tripla usando um inibidor da bomba de protões como por exemplo o Omeprazol (ou ranitidina citrato de bismuto) combinado com Claritromicina e Amoxicilina ou em alternativa Claritromicina e Metronidazol, durante pelo menos 7 dias. A importância de detectar e erradicar a infecção por H. pylorirepercute-se não só na cura do paciente, mas também na probabilidade de recaídas à posteriori. Tem sido demonstrado que a erradicação do H. pylori reduz a taxa de recaídas a apenas 3% enquanto o tratamento convencional sem antibióticos se acompanha de taxas de recaídas de até 67%.
      • 11. Quais são os testes disponíveis para o diagnóstico da infecção pelo H. pylori?

        A infecção pelo Helicobacter pylori pode ser detectada por métodos invasivos e não invasivos:

        Métodos invasivos
        Baseiam-se na biópsia gástrica durante um exame endoscópico. A presença de H. pylori num fragmento de biópsia é posteriormente confirmada quer por exame microscópico directo, pelo teste rápido da urease ou pela cultura bacteriológica do microrganismo a partir do material de biópsia. 
        [A cultura é relativamente pouco sensível para o diagnóstico do H. pylori, mas pode ser necessária para determinar a sensibilidade antimicrobiana em pacientes que não respondem à terapêutica antibiótica].
        As provas invasivas não são isentas de dificuldades, sendo dolorosas, com algum risco e desconforto para o paciente, consomem tempo e nem sempre são sensíveis, devido à tendência que o H. pylori tem para se distribuir em ilhas ou colónias na mucosa gástrica com áreas desta não colonizadas. 

        Métodos não invasivos:
        Incluem o teste respiratório da ureia e o teste de antigénio nas fezes que podem detectar a existência de infecção activa e são chamados testes activos e os testes serológicos que detectam os anticorpos específicos do H. pylori, que são marcadores da exposição ao H. pylori mas não indicam se há ou não infecção activa e são designados por testes passivos.

        Serologia ( Anticorpos anti-H. pylori

        Os testes serológicos são os principais testes não invasivos usados em Portugal e são bastante menos precisos que o teste respiratório da ureia. Baseiam-se na detecção de anticorpos IgG anti-H. pylori no soro ou plasma. A serologia possibilita a determinação quantitativa de anticorpos. O nível de anticorpos expressa-se em unidades arbitrárias, as quais diferem de uma marca para outra. A análise imunoenzimática (EIA) é a prova de eleição dada a sua sensibilidade e facilidade de utilização. Se bem que estes testes sejam relativamente baratos, não conseguem distinguir entre infecção activa e exposição prévia ao H. pylori.

        Um resultado positivo na serologia pode significar uma de três coisas: que o paciente está infectado no momento do teste; que o paciente foi infectado em tempos, mas que no momento do teste, a infecção estava resolvida, quer por terapêutica específica ou naturalmente; ou que o teste está a detectar anticorpos não específicos de modo cruzado. 

        Os níveis de anticorpos podem persistir durante muito tempo no sangue dos pacientes após a erradicação da infecção pelo H. pylori, decrescendo muito lentamente ao longo do tempo. Por isso, para o Follow-up do tratamento, os testes serológicos são menos úteis uma vez que é necessária uma comparação dos títulos de anticorpos pré- e pós-tratamento, separada por um longo periodo de tempo. 

        Apesar disso, vários estudos na literatura sugerem que uma diminuição no título de anticorpos IgG superior a 25% seis meses após a terapêutica prediz com relativa precisão o sucesso da cura da infecção pelo H. pylori

        Teste Respiratório da Ureia

        Helicobacter pylori produz urease, uma enzima que hidrolisa a ureia em amónia e dióxido de carbono. O microrganismo pode usar a actividade da urease para regular o pH no seu micro-ambiente.O teste respiratório da ureia baseia-se no principio de que existe actividade ureásica no estômago de indivíduos infectados pelo H. pylori.

        Após ingestão de uma solução de ureia marcada com 13C, esta é hidrolisada pela urease produzida pela bactéria presente na mucosa gástrica, libertando amónia e CO2 marcado. O CO2 difunde-se em seguida através da mucosa gástrica para os vasos sanguíneos epiteliais e para a circulação geral e dentro de alguns minutos , é eliminado pelo ar expirado. A ureia marcada é dada geralmente ao paciente com uma bebida para atrasar o esvaziamento gástrico e aumentar o tempo de contacto com a mucosa. 20 minutos após a ingestão da ureia, são colhidas amostras de ar exalado num tubo contendo um agente que retém o CO2 (hyamine). 

        A detecção de 13C (que é um isótopo não radioactivo do 12C) é efectuada utilizando um equipamento oneroso como a espectrometria de massa. 

        Teste de Antigénio nas Fezes 

        É um teste imunoenzimático capaz de detectar a presença de antigénios do H. pylori em amostras de fezes. Os primeiros testes a estar disponíveis usavam anticorpos policlonais, e têm sido utilizados em milhares de pacientes através da Europa, sendo quase tão específico (91,2%) e sensível (92,4%) como o teste respiratório da ureia. Alguns centros, reportaram contudo, uma variabilidade apreciável entre diferentes lotes.

        Recentemente, surgiu um teste EIA de anticorpos monoclonais que tem mostrado excelentes resultados e que evita essa variabilidade. O teste monoclonal actualmente disponível tem demonstrado ser tão preciso como o teste respiratório da ureia (especificidade 97,5%, sensibilidade 94,7%). Embora equivalente ao teste respiratório da ureia em performance, o teste de antigénio nas fezes é consideravelmente menos caro e menos demorado. 

        Em contraste com a serologia, o teste de antigénio nas fezes é útil para confirmar a erradicação da infecção 4 semanas após o final da terapêutica. Comparado com o teste respiratório da ureia, o teste nas fezes é mais conveniente, particularmente em pediatria, pois as amostras de fezes podem ser obtidas das crianças sem a sua activa colaboração. 

        As amostras de fezes podem ser guardadas até 5 dias à temperatura ambiente ou a -20 ºC que isso parece não influenciar a performance do teste.
      • 12. Quando aparecem os anticorpos contra H. pylori no curso da infecção? É importante quantificar os níveis de anticorpos?

        Geralmente, os anticorpos contra H. pylori são detectáveis dentro de 10 a 20 dias depois de instalada a infecção e persistem ao longo desta. Sem dúvida, estes anticorpos não conferem protecção nem ajudam a eliminar oH. pylori. A quantificação do título de anticorpos é uma ferramenta importante devido a que: 
        1. O nível de títulos de anticorpos reflecte de maneira adequada a gravidade da colonização gástrica pelo H. pylori
        2. A erradicação com exito do H. pylori mediante o tratamento antibiótico conduz a uma descida significativa no nível de anticorpos dentro dos 6 meses posteriores. 
        3. A elevação dos títulos de anticorpos de modo repetido pode ser um dado de alerta para considerar a possibilidade de recaídas.
      • 12. Testar e tratar a dispepsia - mas que teste escolher?

        As recentes "guidelines" Europeias recomendam o uso de testes não invasivos para a detecção da infecção pelo Helicobacter pylori no âmbito dos cuidados de saúde primários, em pacientes com dispepsia persistente ou recorrente não complicada, e se o resultado do teste for positivo, administrar terapêutica tripla.

        Com uma política requerendo testes não invasivos e tratamento, necessitamos de usar um teste bastante preciso, de modo que os pacientes recebam o tratamento correcto. 

        O teste Respiratório da Ureia e a Serologia foram os primeiros testes não invasivos disponíveis; o teste respiratório da ureia é o mais preciso, mas não tem sido muito usado num quadro de cuidados primários em Portugal, provávelmente porque é caro e demorado uma vez que requer duas amostras respiratórias, tomadas com 20 minutos de intervalo. 

        Os testes serológicos têm sido os principais testes não invasivos em Portugal e são menos precisos que o teste respiratório da ureia, embora apresentem a vantagem de ser significativamente mais baratos. 

        Outro teste não invasivo e preciso actualmente disponível, é o teste de Antigénio nas Fezes, que detecta a presença dos antigénios do H. pyloriem amostras de fezes. Este teste tem sido largamente avaliado e demonstrou ser tão preciso como o teste respiratório da ureia. Usa métodos de laboratório similares aos dos testes serológicos e pode ser introduzido com facilidade na rotina prática do laboratório. Embora equivalente ao teste respiratório em performance, o teste de antigénio nas fezes é consideravelmente menos caro e menos demorado. 

        Para o seguimento do tratamento, os testes serológicos são menos úteis uma vez que é necessária uma comparação dos títulos de anticorpos pré- e pós-tratamento e os níveis destes diminuem muito lentamente sendo necessário esperar 6 meses para confirmar uma cura. 

        O teste de cura com o teste respiratório ou o teste de antigénio nas fezes deve ser efectuado 1 mês, e de preferência 3 meses, após se completar o tratamento. (testes mais cedo podem não ser suficientemente precisos quer porque eventuais microrganismos remanescentes não atingiram o desenvolvimento suficiente para ser detectados, ou porque os microrganismos mortos ou a morrer afectam a precisão dos testes). 

        A serologia conduz a pelo menos quatro vezes mais falsos resultados positivos que os testes respiratório da ureia ou de antigénio nas fezes, com o tratamento associado desnecessário e o aumento dos riscos de resistência antibiótica na outra flora bacteriana. Se as guidelines "testar e tratar" para a dispepsia forem largamente implementadas na Europa, o número de pacientes a receber tratamento para erradicar o H. pylori pode facilmente duplicar. 

        O Grupo Europeu de estudo do Helicobacter pylori e as guidelines europeias aconselham preferencialmente o uso do teste respiratório da ureia ou o teste de antigénio nas fezes relativamente à serologia. Qualquer custo adicional destes testes, será largamente compensado pela melhoria da precisão do diagnóstico e pela redução do uso de antibióticos. Além disso, à medida que estes testes forem substituindo a serologia, é provável que os seus preços venham a baixar.
    • Hepatites Virais

      • 1. O que é a Hepatite?

        A hepatite é uma inflamação no fígado que, dependendo do agente que a provoca, se pode curar apenas com repouso, requerer tratamentos prolongados, ou mesmo um transplante de fígado quando se desenvolvem complicações graves da cirrose como a falência hepática, ou o cancro no fígado, que podem levar à morte. 

        Os vírus são a sua principal causa mas existem outras etiologias não virais tais como o excesso do consumo de álcool, e de outros produtos tóxicos como alguns medicamentos e químicos e algumas plantas. Existem ainda as hepatites auto-imunes resultantes de uma perturbação do sistema imunitário que, sem que se saiba porquê, começa a desenvolver auto-anticorpos que atacam as células do fígado, em vez de as protegerem. Existem seis tipos diferentes de vírus da hepatite (A, B, C, D, E e G). A principal diferença entre os vírus é o seu modo de propagação e o impacto que exercem na saúde. A Hepatite é, habitualmente, descrita como aguda ou crónica. A doença aguda é aquela que tem uma curta duração; enquanto que a crónica apresenta uma duração longa, por vezes com períodos de exacerbação e remissão. Quando a Hepatite B tem uma duração superior a seis meses designa-se por Hepatite B crónica. 

        Cada uma destas patologias implica sempre uma consulta médica e um acompanhamento adequado. Em muitos casos, ter hepatite não chega a ser uma verdadeira «dor de cabeça», já que o organismo possui defesas imunitárias que, em presença do vírus, reagem produzindo anticorpos, uma espécie de soldados que lutam contra os agentes infecciosos e os aniquilam. Mas, em algumas situações, estes anticorpos não são suficientes para travar a força do invasor e, então, é necessário recorrer a tratamentos antiviricos. 

        Embora haja ainda muito a estudar nesta área, a investigação científica tem percorrido um bom caminho na luta contra a doença, tendo já conseguido elaborar vacinas contra as hepatites A e B, (que permitiram reduzir consideravelmente a sua propagação) e descobrir substâncias (como os interferões) que podem travar a multiplicação do vírus e constituir uma esperança de prolongamento da vida para muitos doentes. Estes tratamentos, contudo, são dispendiosos e nem sempre estão disponíveis nos países em desenvolvimento, que são as zonas mais afectadas. 

        Os vírus da hepatite podem ser transmitidos através da água e de alimentos contaminados com matérias fecais (A e E), pelo contacto com sangue contaminado (B, C, D e G) e por via sexual (B, C e D). Os vírus têm períodos de incubação diferentes e, em muitos casos, os doentes não apresentam sintomas. As hepatites A e E não se tornam crónicas, enquanto a passagem à situação da cronicidade é bastante elevada na hepatite C e comum nas hepatites B, D e G, embora esta última doença não apresente muita gravidade. 

        Ao contrário de outras doenças, os doentes com hepatite crónica podem ter um quotidiano muito próximo do normal, não sendo necessário ficarem ficar inactivos, isolados dos demais ou cumprir dietas rígidas, mas devem conhecer as suas limitações e aprender a viver com a hepatite.
      • 2. Como se transmitem as Hepatites virais A, B ou C?

        Hepatite A, é uma infecção de transmissão fecal-oral, ao ingerir alimentos ou água contaminados com o vírus. As Hepatites B e C, são de transmissão parenteral, por contacto sexual, transfusão de sangue ou derivados, uso de seringas contaminadas com o vírus, contacto com sangue, secreções, urina, lágrimas, etc., de um paciente infectado. 
      • 3. É possível diferenciar clínicamente o tipo de Hepatite Viral?

        As Hepatites A, B e C, sendo as mais frequentes, são também indistinguíveis, já que em todas elas, os sinais e sintomas são comuns: ictericia, astenia, anorexia, etc. A história clínica, do caso em particular, pode orientar para o possível tipo de Hepatite, mas não obstante continua sendo inespecífico. Uma percentagem menor de pacientes sofrem uma Hepatite assintomática anictérica, o que explica que tenha evidência serológica, mas não o antecedente clínico de doença. Esta variedade é mais comum na infecção pelo vírus C (HCV).
      • 4. É importante levar a cabo o diagnóstico diferencial e específico do tipo de Hepatite?

        Sim, já que a evolução e prognóstico é diferente entre as Hepatites A, B, e C. A Hepatite A tem um curso favorável, embora menos de 1% dos infectados possa evoluir para uma hepatite fulminante com uma mortalidade elevada. A Hepatite B pode resolver-se ou tomar caminhos diferentes, já que aproximadamente 50% dos casos se convertem em portadores assintomáticos potencialmente contagiosos. 10% dos doentes, desenvolvem Hepatite crónica, cirrose e insuficiência hepática. Além disso, o risco de cancro do fígado, é muito maior em doentes com esta infecção. A Hepatite C pode ser assintomática em grande parte dos casos, e independentemente do curso sintomático ou não, mais de 75% dos infectados desenvolvem doença crónica e destes, 20% podem evoluir para cirrose e suas consequências, após 20 anos ou mais. Da mesma forma que o HBV, o HCV pode estar intímamente associado com o desenvolvimento de hepatocarcinoma.
    • Tudo o que precisa de saber sobre Colheitas

      • 1. Devo estar em jejum para fazer as Análises?

        Regra geral, o paciente deve obedecer a um jejum de pelo menos 8 horaspara fazer as suas análises, havendo análises em que o paciente deve obedecer a um jejum mais prolongado, de pelo menos 12 horas, nomeadamente nas do Colestrol Total e suas fracções, Triglicéridos e Lipidograma. 

        No entanto, existem muitas análises em que o jejum não é obrigatório, como nas análises virais, hormonais, bacteriológicas, alergologia ou imunológicas. Deve sempre procurar que o seu médico assistente ou olaboratório lhe explique qual a condição ncessária em que se deve encontrar no momento em que vai realizar as análises. Em caso de dúvida, e se por alguma razão não conseguir o esclarecimento das suas dúvidas, deve sempre optar pelo jejum.
      • 2. Que quantidade de sangue é extraída durante a colheita?

        O volume de sangue recolhido pode variar bastante consoante o número e o tipo de análises requeridas pelo médico. No entanto, regra geral, é colhido cerca de 6 a 9 mL de sangue.
      • 3. Que informações devo dar ao técnico responsável pela colheita?

        Todas as informações são importantes e utéis para o técnico. Mas as mais relevantes são, se já se sentiu indisposta ou chegou mesmo adesmaiar em colheitas anteriores, se tem alguma condição de saúde que possa influenciar a colheita ou a análise da mesma, se se encontra a tomar alguma medicação que possa interferir com a análise ou com a colheita de sangue, nomeadamente anticoagulantes, que aumentam o tempo que demora a estancar o local da picada.
      • 4. Porque é que fiquei com um hematoma depois da colheita de sangue?

        Não é muito habitual que tal aconteça, mas por vezes na zona da punção pode acontecer um derrame, formando assim o hematoma. 

        Um hematoma é uma colecção de sangue no interior de um tecido. Dito de outro modo, sempre que o sangue escapa ao seu meio natural - os vasos sanguíneos - e se acumula de forma significativa entre as células de um determinado orgão ou tecido acontece um hematoma. Quando este fenómeno ocorre na pele ou nas estruturas situadas imediatamente abaixo designa-se por equimose, entidade que vulgarmente se conhece com o nome de «nódoa negra».

        O aparecimento de um hematoma pode dever-se a vários factores, nomeadamente: 
        • A compressão inadequada do local de colheita;
        • Em veias muito finas;
        • Em colheitas difíceis;
        • Por acçao de um medicamento;


        Existem pessoas que são mais propensas ao desenvolvimento de hematomas, ficando muitas vezes com um hematoma no local da punção. 

        Para evitar a formação de hematomas, deve-se pressionar com um algodão seco o local de punção durante um a dois minuto, não devendo fazer esforços com o braço nos minutos decorrentes.
      • 5. Posso beber água quando vou fazer Análises?

        Sim, não existe problema em beber água com moderação, quando vai fazer as suas análises, visto que esta não vai afectar os resultados, excepto quando em excesso, podendo alterar o resultado da análise à urina. No entanto, não deve beber, nem comer mais nada, para além da água.
      • 6. Posso fumar antes de fazer Análises?

        Não, antes de fazer as análises não deve fumar. O facto de fumar antes de fazer análises vai influenciar o resultado de algumas, devendo abster-se de fumar nas horas anteriores à colheita de sangue, tal como faz com a comida.
      • 7. Posso tomar a minha medicação habitual?

        Existem vários medicamentos que interferem com as análises ao sangue, como os antibióticos, anti-inflamatórios, entre outros. No entanto, a medicação não deve ser interrompida sem orientação médica. Deveinformar o técnico que se encontra sob determinada medicação, para que este possa ter uma interpretação correcta das análises, tendo em conta esse factor.
      • 8. Posso fazer Análises enquanto estou menstruada?

        Sim, pode fazer as análises enquanto está com o período menstrual, no entanto, o médico deve estar ciente que se encontrava com este na altura da colheita, devido à alteração hormonal e de algumas proteínas séricas. Apenas não é recomendado fazer a análise à urina e exsudatos vaginais, devido ao facto do sangue se misturar com a amostra, devendo fazer a colheita destes quando o período menstrual passar completamente, exceptuando, quando a colheita é muito urgente.
      • 9. Quanto tempo demoram as minhas Análises?

        No momento da inscrição, o utente é informado do tempo que levará até que as análises estejam prontas, tendo em conta as análises que são requeridas pelo médico. Contudo, o tempo de processamento mais comum é de cerca de uma semana, para entrega no seu centro de saúde. No entanto, existem análises cujos resultados estão disponíveis no próprio dia e outras, muito específicas, que podem levar mais de oito dias até que o resultado seja emitido.
      • 10. Porquê o atraso na entrega das Análises?

        Em casos excepcionais podem ocorrer atrasos com a entrega das análises. O atraso pode dever-se a um conjunto de situações, como a: 
        • Colheita insuficiente de amostra;
        • Necessidade de repetição da colheita para confirmação de resultados; 
        • Um problema técnico esporádico.
      • 11. Contactaram-me para repetir a colheita. Vai comportar custos adicionais para mim?

        Não, no caso de colheita insuficiente, colheita incorrecta ou repetição da colheita para confirmação de resultados, não tem qualquer custo adicional àquele já pago pela análise no momento da inscrição.
      • 12. Devo fazer Análises regularmente?

        As análises clínicas são exames complementares de diagnóstico, que em conjunto com outros exames e a história clínica do doente, permitem confirmar ou não um diagnóstico. No entanto, não deve só fazer análises quando se encontra doente ou apresenta algum sintoma. Devefazer análises regularmente, pelo menos uma a duas vezes por ano, visto que existem doenças que num estado precoce ou mesmo avançado,não apresentam sintomas distintos

        As análises clínicas podem ser requeridas para variadas situações, nomeadamente, para um simples "Check-Up", usadas na monitorização de determinadas patologias (ex: diabéticos), confirmação ou não de um diagnóstico e na detecção precoce de muitas doenças, podendo o médico actuar mais cedo no tratamento das mesmas, aumentando a possibilidade de tratamento e/ou cura.
      • 13. Quais são os locais de onde me podem retirar sangue para Análises?

        local de eleição para a colheita de sangue é na fossa antecubital do braço, no entanto pode ser feita a colheita no antebraço ou nas mãos. Existem ainda casos pontuais, em que possa ser necessário recorrer a outros locais de colheita, como o cotovelo, pés ou tornozelos.
         
      • 14. As minhas veias são muito complicadas de encontrar. O que posso fazer para facilitar o seu aparecimento?

        Nos bébés ou em algumas pessoas, em que é muito complicado encontrar as veias, devido a tratamentos agressivos, como quimioterapia, nem sempre é fácil ao técnico conseguir encontrar veias superficiais para poder puncionar.

        O que se pode fazer para facilitar o aparecimento das veias é colocar umpano quente sobre o braço ou fazer algum exercício com o braço, como por exemplo segurar um balde relativamente pesado, fazendo com que asveias do braço dilatem devido ao exercício ou ao calor, facilitando assim o aparecimento das veias.
      • 15. Como sei o que devo ou não levar e se devo estar em jejum?

        Deve sempre pedir para o seu médico assistente para lhe explicar o que vai fazer e qual a preparação necessária para fazer os exames. Caso isto não aconteça ou tenha alguma dúvida deve contactar o Aqualab para que lhe seja explicado qual a condição e os cuidados necessários para realizar as análises requeridas.

        Devida à variedade de análises disponíveis são vários os cenários possíveis, no entanto, o mais comum é que a pessoa se encontre em jejum por um período mínimo de 12 horas. 
      • 16. Posso levar a urina de casa ou devo fazer no laboratório?

        O ideal seria a pessoa realizar a colheita no laboratório. No entanto, para sua própria comodidade pode realizar a colheita de urina no conforto da sua casa, usando um recipiente estéril e próprio para o armazenamento da urina

        O que deve ter consciência é que nem sempre se pretende a primeira urina da manhã (Urina II), mas sim a recolha de uma Urina Asséptica. Esta implica cuidados específicos e deve ser colhida no laboratório. Pode passar pelo Aqualab onde lhe será disponibilizado o recipiente ou então comprá-lo numa farmácia perto de si.
      • 17. O que é uma Urina Tipo II e uma Urina Asséptica?

        Urina Tipo II é a terminação usada para a análise morfológica, física e quiímica da urina.

        Urina Asséptica é a colheita da urina com todos os cuidados assépticos, usada para a pesquisa de infecções urinárias causadas por bactérias. 

        Quer numa quer noutra, a amostra preferencial é a primeira urina da manhã, devido a esta se encontrar mais concentrada. No entanto, ambas as amostras podem ser colhidas em qualquer altura do dia, devendo a urina asséptica ser colhida no laboratório.
      • 18. Como é assegurado que não existem trocas e como são identificadas as amostras com os meus dados?

        No momento da inscrição do utente é atribuído um número único de identificação no laboratório, que permite aceder aos dados disponibilizados pelo utente. Todas as amostras são identificadas no momento da colheita com etiquetas com códigos de barras com o número de identificação atribuído. 

        Devido à grande automatização dos aparelhos existentes no laboratório, no momento da análise das amostras, os aparelhos lêem o código de barras e atribuem o resultado ao devido número, assegurando assim que não existem trocas entre resultados de pacientes.

        At registration the patient is given a unique identification number in the laboratory,which allows us to access the data provided by the user. Every sample is indentified during the sampling with tags containing the bar code with the ID number previously assigned.

        Due to the wide automation of the laboratory’s equipment, the apparatus reads the bar code while analysing the sample, and assigns the result to the appropriate number, thus ensuring that there are no exchanges between patient’s results.

      • 19. Que situações podem fazer com que seja necessária realizar uma nova colheita?

        Em certas situações esporádicas o utente pode ser novamente convocado para realizar nova colheita. Existem algumas situações que podem motivar a que seja necessário a nova colheita. Das mais comuns, é a colheita insuficiente de sangue, devido a uma colheita que foi difícil, mas existem outras: 

        • Como a necessidade de nova colheita para confirmação de resultado; 
        • Em colheitas muito prolongadas, pode ocorrer com que o sangue acabe por coagular, alterando o resultado das análises;
        • Em colheitas difíceis, pode ocorrer a hemolise da amostra, causando a alteração de alguns parâmetros;
        • Colheita incorrecta da amostra (ex: contaminação na colheita da urina asséptica);

        Ou outras, como, falha humana ou problemas com equipamentos.
    • HIV

      • 1. Quando foi descoberto o HIV?

        Vírus da Imunodeficiêcia Humana (HIV) foi descoberto em 1981 por médicos americanos, que constactaram o aparecimento de infecções oportunistas, pouco vulgares, num grupo de pacientes em particular.
        Estes indivíduos apresentavam uma imunossupressão sem qualquer motivo aparente. Após alguns estudos, verificou-se que este sindroma, até então desconhecido, causava a diminuição dos Linfócitos T CD 4+ no sangue periférico.
        Depois de 3 anos de estudo, chegou-se à descoberta do agente causador da doença, o HIV.
      • 2. Um indivíduo morre com a SIDA?

        Ironicamente não, os indivíduos com SIDA não morrem por causa do vírus. Morrem devido ao facto de ficarem com as defesas muito baixas, num estado de imunossupressão, sendo a morte causada pelo aparecimento de infecções oportunistas, que em indivíduos normais, não causam grandes complicações e nestes indivíduos causam a morte.
      • 3. Quais são os sintomas que a doença provoca?

        Durante a fase aguda, que ocorre quatro semanas após o contágio, algumas pessoas apresentam sintomas semelhantes aos de uma gripe, tais como febre, dores de cabeça, estômago e músculos, suores, fadiga e gânglios linfáticos aumentados. 
        Esta fase aguda, dura cerca de uma a três semanas, e os indíviduos recuperam naturalmente, devido à resposta do sistema imunitário. Os sintomas desaparecem e os seropositivos permanecem num período em que não apresentam sintomas durante diversos anos

        Segue-se depois uma fase sintomática da infecção, em que o paciente começa a apresentar sintomas carectrísticos de uma imunodepressão do sistema imunológico. O doente pode queixar-se de suores nocturnos, perda de peso, diarreia, perda de apetite, perda de cabelo, pele seca, entre outros sintomas. 

        A fase que se segue, é o Sindrome da Imunodefeciência Humana (SIDA), em que existe o agravamento da imunodeficiência, que comporta o aparecimento de infecções oportunistas.
      • 4. Como actua o VIH?

        O VIH é um vírus da família dos retrovírus e provoca a SIDA (Sindroma de Imunodeficiência Adquirida). Uma vez instalado no organismo, este vírus para se desenvolver e reproduzir, invade e destrói um certo tipo de células do sistema imunitário, os linfócitos T CD4, que são os primeiros responsáveis pela defesa do organismo contra agentes patogénicos, tumores e infecções. 

        o vírus liga-se aos receptores existentes nas paredes dos linfócitos T e funde-se com estes. De seguida o vírus usa o DNA do indíviduo, reproduzindo o seu DNA viral, formando novos VIH que são libertados na corrente sanguínea e vão infectar novas células.
        Na fase final de evolução da doença, provoca uma diminuição da capacidade do organismo resistir a qualquer tipo de infecções, mesmo aquelas mais simples, tornando-as tão graves e difíceis de tratar, que acabam por causar a morte.
      • 5. Qual o período de janela do VIH?

        período de janela é, o período que decorre desde o momento em que se adquire a infecção até aos testes laboratoriais se tornarempositivos (pesquisa de anticorpos). Este período é, em média, de 3 a 6 semanas. Contudo, como nem todos somos iguais, existem pessoas que demoram mais tempo a desenvolver anticorpos contra o vírus que o normal.

        O período de janela do VIH, pode ser de entre 3 semanas a 3 meses. No entanto, os médicos recomendam fazer novamente o despiste após seis meses de um possível contágio para ter a certeza que não existe infecção.
      • 6. Como se transmite o HIV?

        O HIV não se transmite pelo contacto directo normal com pessoas infectadas com o vírus, nem pelo ar. O virus apenas pode infectar através de uma porta de entrada. O HIV é pouco resistente fora do corpo humano, podendo sobreviver até uma hora fora deste, exposto às condições ambientais.

        A transmissão pode acontecer de três formas: 
        1. Através de relações sexuais, 
        2. Contacto com sangue infectado, 
        3. Da mãe para o filho, durante a gravidez, parto ou pela amamentação.


        O HIV pode ser transmitido através dos vários fluidos corporais, como o sangue, sémen, fluidos vaginais e leite materno.
        As portas de entrada do vírus podem ser através da partilha de seringas contaminadas, picadas acidentais, relacções sexuais desprotegidas sem o uso de preservativo, através da amamentação, contacto directo do sangue de uma pessoa infectada com uma ferida aberta, possibilidade do contágio do feto no momento do parto ou durante a gestação. 

        A transmissão do vírus pode eventualmente ocorrer através de transfusões de sangue e de hemoderivados, mas actualmente esta via apresenta poucos riscos associados, uma vez que é obrigatório a realização de testes de despiste a todos os dadores.
      • 7. Que medidas posso tomar para me prevenir contra o VIH?

        Visto que hoje em dia ainda não existe a cura nem a vacina para precaver a infecção por VIH, a melhor solução é mesmo evitar certos comportamentos de risco. Deve-se usar sempre preservativo durante as relações sexuais, não partilhar agulhas, seringas, não partilhar material usado na preparação de drogas injectáveis e objectos cortantes, como os objectos para fazer tatuagens e piercings, de cabeleireiro, manicura e acupuntura.
        É preciso também ter atenção a objectos que tenham estado em contacto com sangue, sémen e fluídos vaginais, que podem conter o vírus. 
        Existem ainda outros produtos, que não se vendem nos lugares menos comuns, que podem ser utilizados na protecção durante as mais diversas práticas sexuais.
      • 8. Quem deve fazer o teste para o despiste do HIV?

        Todos nós devemos fazer o despiste do HIV, não é só para aqueles que estão englobados nos grupos de risco. Esta é uma doença silenciosa e que só manisfesta a sua presença passados longos anos. Tal como devemos ter todos os cuidados para nos prevenirmos de sermos infectados com o HIV, também devemos ter o cuidado de prevenir os outros quando infectados com esta doença, para que o HIV não continue a alastrar a toda a população.
        A SIDA há muito que ultrapassou as barreiras que envolviam principalmente os homossexuais e toxicodependentes. Agora, é uma doença que pode qualquer pessoa pode contrair. Já não existem grupos de risco declarados, apenas existem comportamentos de riscoque devem ser evitados ou então, conscientemente assumidos com o máximo de precaução. 

        Proteja-se a si próprio, proteja os outros, pelo grande respeito que nos merece o direito à vida, à saúde, à tranquilidade, consulte a sua consciência. Depois o seu médico assistente. in Aidsportugal.com
      • 9. Quais são os potenciais grupos de risco do HIV?

        Os potenciais grupos de risco são os toxicodependetes, devido à partilha de seringas, os individuos com promiscuidade sexual, devido à falta de uso do preservativo, e os profissionais de sáude que estão sempre sujeitos a acidentes, como picadas acidentais, mas nos dias que correm já não existem grupos de risco, mas apenas comportamentos de risco, que devem ser evitados ou então minimizados.
      • 10. Como é feito o diagnóstico laboratorial do HIV?

        É efectuado através de testes para o despiste da presença do anticorpoe/ou antigénio do vírus no sangue periférico. Hoje em dia já existem testes de 4ª geração, que permitem a detecção muito precoce dos indivíduos infectados com o HIV, reduzindo o período de janela até ao mínimo de duas semanas, através da pesquisa de um antigénio do core do núcleo do HIV, o antigénio p24.

        No entanto, os testes mais usados para o despiste do HIV, são a pesquisa de anticorpos no sangue, através dos testes ELISA (Enzime Linked Immuno-Sorbent Assay). Estes testes de 3ª Geração permitem detectar o vírus, 3 a 4 semanas após a infecção pelo HIV. Contudo, devido as diferenças de indivíduo para indivíduo, não podendo haver uma certeza absoluta sobre os resultados negativos nos primeiros três meses após o contágio.
      • 11. Como é feita a confirmação de um resultado positivo?

        No caso de um teste de rastreio de HIV ser positivo, este tem que serconfirmado antes do resultado ser entregue ao utente. O soro do paciente é primeiro confirmado no próprio laboratório e depois é encaminhado para a Faculdade de Farmácia, onde são realizados os testes confirmatórios. O teste mais comum é o de Western Blot, que é um teste de Biologia Molecular.
      • 12. Qual a diferença entre ser Seropositivo e ter SIDA?

        Uma pessoa que seja portadora do HIV é designada por seropositivo, isto é, uma pessoa que mediante os testes laboratoriaisteste positivopara o HIV, é designado seropositivo.
        Segue-se um período que pode ir de 10 a 15 anos, dependente da pessoa. Neste período o vírus continua a replicar-se, mas o indíviduo não apresenta sintomas nesta fase, em que o organismo consegue repor a quantidade de Linfócitos T CD4+ destruídos pelo vírus. 
        Quando o indivíduo deixa de ser capaz de repor o equilíbrio entre os Linf. T CD4+ destruídos e os repostos na circulação, a contagem das células começa a baixar, passando a ter o Sindroma da Imunodeficiência Adquirida (SIDA), verificando-se uma baixa considerável das defesas do hospedeiro e as doenças oportunistas começam a aparecer.
        Laboratorialmente, considera-se que um indivíduo saudável tem entre 500 a 1500 Linf. T CD4 por mililitro de sangue. A seropositividade transforma-se em SIDA quando os Linf. T CD4 baixam para menos de 200 por mililitro de sangue, ficando o organismo mais desprotegido contra infecções ou doenças oportunistas.
      • 13. Que testes são usados no diagnóstico e monitorização do HIV?

        Existem vários tipos de testes para diagnosticar e monitorizar o HIV. Os testes mais usados para o diagnóstico do HIV são através da detecção de anticorpos-VIH e determinação do antigénio p24.
        Os testes usados para a monitorização do HIV são os testes de carga viral e a quantificação dos linfócitos T CD4, usados para determinar quando se deve iniciar a terapeutica, monitorizar a terapêutica e a progressão do vírus, devendo ser repetidos de três em três meses.
      • 14. Nos recém-nascidos, filhos de mães seropositivas, como se pode saber se estes estão também infectados?

        No caso dos recém-nascidos, filhos de mães seropositivas, os testes aos anticorpos tem uma particularidade, já que os recém-nascidos não conseguem produzi-los, recebem a imunização pelos anticorpos proveniente da mãe. Os anticorpos só passam a ser válidos ao fim de um período de 18 meses, período o qual, os anticorpos provenientes da mãe desaparecem. 
        Ao fim deste período, se a criança não apresentar anticorpos-VIH, este não se encontra infectado. Nestes casos, existe também a possibilidade de se fazer uma análise para detectar a presença de material genético do vírus, que dá a indicação se o recém-nascido se encontra ou não infectado com o VIH.
      • 15. Qual é o tratamento?

        Nos dias que correm, ainda não existe um verdadeiro e eficaz tratamento para a doença, como de resto, não existe tratamento médico para doenças provocadas por vírus. O ideal seria matar o agente causador tal como acontece para as infecções causadas por bactérias.
        Nas doenças provocadas por vírus, a atitude médica a tomar consiste em criar defesas específicas no indivíduo contra a doença, através da administração preventiva de vacinas, para que, no caso da infecção surgir a doença não chegue a ocorrer. Neste momento, ainda não foi descoberta a vacina de prevenção para a SIDA.

        Existe, no entanto um grupo de medicamentos que ajuda a diminuir a multiplicação do vírus, contudo, não cura nem destrói no entanto o vírus, apenas retarda a sua evolução através da inibição de algumas enzimas responsáveis pela multiplicação do vírus. Estes medicamentos apenas ajudam a prolongar o tempo de vida do indíviduo, contendo a infecção antes que este atinga o Sindrome de Imunodeficiência, em que já não tem qualquer tipo de defesas contra as mais simples infecções.
      • 16. Posso ficar apenas num estado de seropositividade, sem que esta passe a SIDA, não realizando o devido tratamento?

        Não. Sem o tratamento indicado para os seropositivos, estes mais tarde ou mais cedo vão acabar por desenvolver a SIDA. A infecção por HIV tem a sua evolução natural até chegar a SIDA. Este perído pode ser até 10 anos sem tratamento
        Com os tratamentos actualmente disponíveis é possível modificar a evolução natural da doença, aumentando o período assintomático da doença, prevenindo assim o aparecimento de infecções e tumores oportunistas que se manifestam com o aparecimento da SIDA.
        Para que este período seja alargado e a qualidade de vida seja preservada, todos os indivíduos seropositivos devem iniciar um tratamento com acompanhamento médico adequado.
    • Vírus do Papiloma Humano e Cancro do Colo do Útero

      • 1. O que é o HPV ?

        O HPV (vírus do papiloma humano) faz parte de um grupo de vírus capazes de infectar o colo do útero. Uma infecção por HPV que não desapareça, ou seja, que se torne persistente pode aumentar o risco para desenvolvimento do cancro do colo do útero.
         
        Existem mais de 100 tipos de HPV, dos quais cerca de 40 podem infectar o tracto genital e são sexualmente transmissíveis.
         
        As infecções genitais por HPV, são normalmente assintomáticas e resolvem-se, na maioria dos casos, de forma espontânea. No entanto existem algumas infecções por HPV que podem provocar cancro do colo do útero, outros cancros e verrugas genitais.
         
        Os tipos de HPV associados ao cancro, são designados por oncogénicos ou tipos de Alto Risco. Existem 12 tipos de HPV de alto risco ( 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59 ) reconhecidos pela Agência Internacional de Investigação em Cancro (IARC).
      • 2. Qual a relação entre o cancro do colo do útero e o HPV?

        Uma infecção por HPV é a causa necessária, embora não suficiente, para o desenvolvimento do cancro do colo do útero.
         
        Muitas das infecções por HPV, são resolvidas naturalmente pelo organismo da mulher, especialmente em idade jovem. No entanto, cerca de 5-10% destas infecções podem persistir, o que aumenta o risco da mulher vir a desenvolver lesões pré-malignas no colo do útero. Se não forem detectadas e tratadas atempadamente, estas lesões, podem evoluir para cancro do colo do útero.
         
        Em Portugal, o cancro do colo do útero, é o 3º cancro mais frequente nas mulheres. Tem uma taxa de incidência de na ordem dos 12,2% e de mortalidade na ordem dos 3,6%.
         
        A informação sobre a persistência de alguns tipos de HPV, pode ser crucial para a estratificação de risco de uma mulher vir a desenvolver cancro do colo do útero.
      • 3. Em que situações se aconselha a utilização de um teste HPV?

        Como sugere o novo consenso para a infecção HPV e lesões intra-epiteliais do colo,vagina e vulva da Sociedade Portuguesa de Ginecologia de 2011, o teste de HPV é aconselhado em:
        • Mulheres com idades superiores a 25 anos.
        • Após citologia com resultado ASC-US.
        • Mulheres na pós-menopausa com citologias LSIL.
        • Orientação pós-colposcopica (monitorização) em mulheres referenciadas por citologia com resultados AGC ou ASC-H.
      • 4. Que tipo de resultados posso obter com testes de HPV?

        Num teste de rastreio de HPV, podemos ter informação de:
        1. Qual(is) o(s) tipo(s) de HPV presentes, causadores de infecção.
        2. Se a infecção é causada por tipos de AR (alto risco) ou BR (baixo risco).
      • 5. Qual a importância de saber qual o tipo de HPV presente na infecção?

        Distinguir se uma infecção de HPV é causada por um tipo de alto risco ou baixo risco, é útil para estratificar o risco de uma mulher vir a desenvolver lesões pré-malignas. Para tal, é necessário que haja umainfecção persistente. Para saber se é uma infecção persistente, tem de saber qual o tipo de HPV. 
         
        Informação sobre infecções mistas, que consoante o(s) tipo(s) de HPV têm influência no prognóstico clínico. ex: mulheres imunodeprimidas (ex: doente HIV-1 positivo).
         
        Monitorização pós-tratamento: Se existir positividade do HPV pós-tratamento, permite prever possíveis recorrências de lesões CIN2+ e CIN3+. Tal só se consegue saber através de testes que determinem o tipo de HPV presente na lesão.
         
        Monitorização da eficácia das vacinas de HPV (as presentes vacinas de HPV são para os tipos 16, 18, 6 e 11).
      • 6. Qual a relevância clínica de saber o tipo de HPV?

        É importante ter um teste HPV com sensibilidade e especificidade clínicas relevantes de forma a poder detectar com eficácia tipos de HPV, em casos CIN2+ ou em casos mais graves.
         
        Em estudos recentes, foi realizada uma comparação entre "CLART HPV" com outros testes de HPV. Concluiu-se que o "CLART HPV" tem uma excelente perfomance quando comparado com o HC2 (teste com cut-off clínico definido) e tem ainda a possibilidade de detectar vários tipos de HPV, em infecções únicas ou mistas, num único teste.
    • Diabetes

      • 1. O que é a Diabetes?

        A diabetes é uma doença crónica caracterizada pelo aumento dos níveis de açúcar (glucose) no sangue. A glucose no sangue é designada por glicémia e quando se encontra aumentada caracteriza-se por hiperglicemia ou por outro lado, quando se encontra diminuida caracteriza-se por hipoglicemia.

        A doença afeta cada vez mais pessoas em todo o mundo e cada vez mais jovens. Actualmente esta doença afecta ambos os sexos e tem uma grande prevalência entre a população portuguesa. 

        A diabetes é uma doença que resulta de uma deficiente capacidade por parte do organismo humano em utilizar a sua principal fonte de energia (glucose), que necessita de insulina para que o organismo possa fazer uma correta utilização da principal fonte de energia. A hiperglicemia ocorre devido à insuficiente produção ou insuficiente ação da insulina ou ambos, que é o caso mais frequente. 
      • 2. Quais são os tipos de Diabetes?

        A doença classifica-se em três tipos:

        Tipo 1 – Este tipo é mais raro que o tipo 2, é mais comum em crianças e jovens mas pode atinguir pessoas de qualquer idade e antigamente era designada por Diabetes Mellitus Insulino Dependentes. Não costuma ter relação com o peso corporal, por isso boa parte dos pacientes afetados tem peso corporal normal. Deve-se a problemas no pâncreas que tem um défice na produção de insulina ou a que é produzida é insuficiente. Os indivíduos com diabetes tipo 1 precisam tomar injeções de insulina diariamente para controlar essa condição. 

        Tipo 2 – Este tipo é o mais prevalente, é responsável por 90 a 95% dos casos de diabetes, antigamente chamado de Diabetes Mellitus Não Insulino Dependente. Habitualmente afecta indivíduos na idade adulta e é muito associado ao excesso de peso devido ao tipo de alimentação e ao sedentarismo. Resulta da resistência às acções da insulina, com défice na secreção compensatória de insulina, ou seja, o pâncreas produz insulina em quantidades normais no início da doença, mas essa insulina não consegue exercer seu efeito como deveria, o que faz com que o pâncreas acabe produzindo mais e mais insulina na tentativa de compensar esse defeito. Com o passar dos anos, o pâncreas acaba se “cansando”, e deixa de ser capaz de compensar a resistência à insulina é nesse momento que surge a hiperglicémia, e é feito então o diagnóstico de Diabetes Tipo 2. 

        Gestacional – Este tipo de Diabetes ocorre durante a gravidez, surge em grávidas que não tinham Diabetes antes da gravidez e, habitualmente termina com o parto. Contudo cerca de metade das pessoas que sofrem deste tipo de doença mais tarde acabam por sofrer de Diabetes do Tipo 2 caso não seja devidamente acompanhada. 
      • 3. Quais os factores de risco da Diabetes?

        A Diabetes é uma doença que pode afectar qualquer pessoa, mas existem alguns casos com maior risco.
        • Pessoas que têm familiares directos com a doença;
        • Homens e mulheres obesos;
        • Pessoas muito sedentárias; 
        • Pessoas com tensão arterial alta ou níveis elevados de colesterol no sangue;
        • Mulheres que contraíram a diabetes gestacional na gravidez;
        • Crianças com peso igual ou superior a quatro quilogramas à nascença;
        • Doentes com problemas no pâncreas ou com doenças endócrinas;
        • Os idosos são mais susceptíveis de desenvolver a doença. 
      • 4. Quais são os sintomas do diabetes?

        Uma vez que a diabetes pode causar complicações sérias, é importante que as pessoas estejam atentas para o aparecimento de sinais sugestivos de diabetes. Os sintomas associados há diabetes geralmente são discretos e lentos, o que leva a um diagnóstico tardio. 
         

        Sintomas nas crianças: 

        ·Urinar frequentemente
        ·Sede 
        ·Cansaço
        ·Dores de cabeça
        ·Náuseas e vómitos 
        ·Emagrecimento rápido 


        Sintomas nos adultos: 

        ·Urinar frequentemente
        ·Sede 
        ·Cansaço
        ·Dores de cabeça
        ·Possível perda de peso
        ·Visão turva

        É importante ter presente que os sintomas nas crianças e adolescentes são bastante nítidos, o mesmo não acontece no caso dos adultos, sobretudo no início da doença, motivo pelo qual pode passar despercebido durante algum tempo. No caso da diabetes tipo 1, o aparecimento dos sintomas costuma ser mais rápido, e podem ser mais severos e incómodos. No diabetes tipo 2, é muito comum que os pacientes não tenham sintomas, principalmente numa fase inicial. 

        Na presença destes sintomas, o indivíduo deverá procurar imediatamente seu médico para testar, através de exames, a presença ou não de diabetes.
      • 5. Comer muito açúcar causa diabetes?

        Comer muito açúcar, por si só, não provoca diabetes, ao contrário do que muitas pessoas imaginam. No entanto, comer muito açúcar pode levar ao ganho excessivo de peso, e a obesidade é uma das causas mais comuns de diabetes. 
      • 6. Um doente deve fazer o controlo da doença?

        Sim, a Diabetes deve ser controlada diariamente pelo próprio doente através de uma boa alimentação, da prática de exercício físico e da realização de testes ao sangue pela medição da glicémia capilar (picada no dedo) diariamente e mais do que uma vez ao dia. E importante que as medições sejam feitas preferencialmente sempre as mesmas horas do dia e antes da alimentação para que seja possível fazer comparação de valores.

        Um doente que não se encontre controlado pode ter graves complicações enquanto um doente que tenha os devidos cuidados e faça um controlo diário consegue ter uma vida perfeitamente normal. 
      • 7. A diabetes tem cura?

        A diabetes é uma doença crónica que actualmente ainda não tem cura. No entanto, assim como muitas outras doenças pode ser tratado e controlado. A maioria das pessoas com diabetes pode levar uma vida completamente saudável e normal, desde que mantenha o seu tratamento e uma dieta adequada. 
      • 8. Como é feito o diagnóstico da doença?

        A Diabetes é diagnosticada através dos seguintes parâmetros:

        • Glicemia em jejum ≥ 126mg/dl
        • Sintomas clássicos mais glicemia ocasional ≥ 200mg/dl
        • Glicemia ≥ 200mg/dl às 2horas na PTGO com 75g; ou
        • Hemoglobina glicada A1c ≥6,5%

        O diagnóstico deve ser sempre confirmado 1 a 2 semanas depois com a mesma analise. Valores de glicémia em jejum entre 110 e 126 mg/dl e/ou valores enre 140 e 200 mg/dl após 2 horas na prova de tolerância são representativos de um aumento do risco de Diabetes. 
      • 9. Quais os valores normais de glicose no sangue?

        Actualmente, consideram-se normais os valores de glicemia:

        a) glicemia em jejum: 
        Normal entre 70 e 110mg/dL  
        Alterado entre 110 e 126mg/dL  
        Provável Diabetes - superior a 126mg/dL  

        b)PTGO (apóssobrecarga de 75g de glicose) 
        ao fim de 2h 
        Provável Diabetes - igual ou superior a 200mg/dL 
        Baixa Tolerância à glicemia - entre 140 e 200mg/dL 
         
      • 10. Se a minha mãe e/ou o meu pai são portadores de diabetes, isso significa que eu vou ser diabético/a também?

        A diabetes é uma doença que pode ser herdada. Isso significa que um indivíduo com pais diabéticos tem uma maior probabilidade de se tornar diabético. Mas isso não é certo, desde que tenha um hábito de vida saudável (alimentação balanceada, exercício físico regular, peso corporal normal) pode vir a nunca desenvolver a doença. 

        Ou seja: ter pais diabéticos não significa que você vai ser diabético, mas é mais provável que isso aconteça do que um indivíduo que não tem diabéticos na família. 
      • 11. A Diabetes pode causar infertilidade?

        Uma mulher diabética que não tenha um bom controlo dos valores de glicemia está associada a um risco maior de aborto nos primeiros três meses de gravidez. Além disso, mulheres diabéticas do tipo 2 frequentemente são obesas ou portadoras da síndrome dos ovários micropolicísticos, que dificultam a concepção. 
      • 12. O que é a Diabetes Gestacional?

        A Diabetes gestacional corresponde à hiperglicemia que ocorre exclusivamente nas mulheres grávidas que previamente não sofriam de Diabetes. E, geralmente, desaparece após o nascimento do bebé.

        Durante a gravidez (aproximadamente por volta da 24ª semana de gestação) o organismo produz grandes quantidades de hormonas que ajudam o bebé a crescer e há uma maior necessidade do organismo em insulina. Se o pâncreas não produzir a quantidade de insulina necessária ou se esta não realizar a sua função adequadamente, a glucose sanguínea aumenta (hiperglicemia), dando origem à Diabetes gestacional.

        A hiperglicemia obriga o bebé a aumentar de tamanho e a produzir insulina. Não se preocupe – a maioria das mulheres com Diabetes gestacional tem bebés saudáveis. A Diabetes gestacional deve ser, contudo controlada até que o bebé nasça. Manter o nível de glicemia o mais normal possível permite evitar complicações, a si e ao seu bebé.

        Às gestantes que agora se deparam com a Diabetes, o importante é aceitarem esta etapa sem alarmismos ou preocupações infundadas, porque a maioria das mulheres com Diabetes gestacional têm bebés saudáveis. Basta verificar os níveis de glicemia, com regularidade e seguir as indicações da equipa de saúde. 
      • 13. É importante controlar a Diabetes Gestacional? Porquê?

        É importante fazer este tipo de controlo para que não exista complicações no parto. Actualmente a prova de tolerância oral à glicose é obrigatório nos exames de rastreio das grávidas e felizmente, na maioria dos casos da diabetes gestacional o bom controlo da glicemia poderá evitar a ocorrência de complicações quer no bebé quer na mãe. 
    • Teste Pré-Natal Não Invasivo - PANORAMA

      • 1. Posso realizar o PANORAMA como uma análise normal?

        Não, O PANORAMA é um teste específico que requer marcação prévia, realização no Laboratório Central em Albufeira.
      • 2. Para realizar o Teste PANORAMA é necessário jejum?

        Não, antes pelo contrário é essencial que a mamã tenha tomado o seu pequeno-almoço, já que o horário ideal de colheita é das 10:00 às 11:00.
  • Análises de Águas e Alimentos

    • Legislação

      • 1. Qual o Decreto-Lei que assegura a qualidade da água para consumo humano?

        Decreto-Lei nº 306/2007 de 27 de Agosto.
    • Microbiologia de Águas

      • 1. Se tiver um poço em casa? Posso beber dessa água?

        A boa qualidade da água para consumo humano é essencial para a saúde. Todas as fontes privadas de abastecimento de água podem ser uma ameaça para a saúde, a não ser que sejam devidamente tratadas e protegidas. Estas podem facilmente, ficar contaminadas com bactérias, parasitas e vírus ou outras substâncias. 
        Muitas vezes, não é possível as pessoas determinarem se a sua água é segura, pois a contaminação pode não se revelar através do cheiro, sabor ou cor da água. Ao contrário do abastecimento público, muitas fontes de abastecimento privadas, não são tratadas para remover a contaminação. Por isso, se possui um furo ou um poço cheio de água aparentemente "boa" isto não significa que possa bebê-la.
      • 2. Qual a origem de bactérias na água para consumo humano?

        Contaminação fecal humana e animal são fontes primárias. Essas fontes incluem terras onde se deposita dejectos de animais, como estrumes e terrenos de cultivo. Outras fontes são descarga de tanques assépticos, inundações ou infiltrações.
      • 3. O que são coliformes fecais e E.coli?

        Contaminação fecal humana e animal são fontes primárias. Essas fontes incluem terras onde se deposita dejectos de animais, como estrumes e terrenos de cultivo. Outras fontes são descarga de tanques assépticos, inundações ou infiltrações.
      • 4. Quais os microrganismos patogénicos, isto é, passíveis de causar doença?

        A água poluída contém inúmeros microrganismos capazes de causar doença no homem. São eles vírus, bactérias, fungos, protozoários, helmintas. Estes microrganismos provêm de pessoas quer infectadas quer portadoras. Estas últimas podem causar infecções intestinais, desinterias, hepatites, febre tifóide, cólera e outras doenças. No entanto, estas doenças não estão limitadas a organismos existentes na água há outros factores não associados com água de consumo humano. As Infecção intestinal e as desinteria são geralmente consideradas problemas menores de saúde. Podem, no entanto, ser fatais para crianças, idosos e doentes.
      • 5. O que é o Clostridium perfrigens?

        É uma bactéria utilizada como um indicador de uma poluição hídrica de origem fecal remota ou intermitente, devido aos longos períodos de permanência e às condições de sobrevivências dos seus esporos que são resistentes à desinfecção pelo cloro.
      • 6. O que é necessário para realizar uma análise microbiologica a uma amostra de água?

        Deverá adquirir um frasco adequado, isto é esterilizado, para isso terá que deslocar-se ao laboratório ou a um posto de colheita ou ainda contactar-nos e nos enviaremos os frascos adequados.
    • Química de Águas

      • 1. Como posso avaliar a dureza da minha água?

        As águas são vulgarmente classificadas de acordo com o seu grau de dureza, da seguinte forma:
        Águas macias 0-75 mg/l (CaCO3)
        Águas moderadamente duras 75-150 mg/l (CaCO3)
        Águas duras 150-300 mg/l (CaCO3)
        Águas muito duras > 300 mg/l (CaCO3)
        A dureza da água é provocada pela existência de catiões - metálicos, dos quais os que contribuem em maior escala são os iões cálcio e magnésio.
        - Consideram-se águas duras de uma forma geral, as águas que necessitam de quantidades consideráveis de sabão para produzir espuma, e que formam incrustações em caldeiras e outros materiais quando a água é aquecida.
        - A dureza da água quando é elevada conduz à formação de depósitos incómodos e preocupantes. Uma água macia pode provocar corrosões, pois não se formam os depósitos carbonatados protectores nas canalizações.
        - Sob o ponto de vista sanitário, as águas duras não apresentam inconvenientes. Apesar de existirem alguns estudos epidemiológicos que parecem demonstrar que poderá existir uma relação inversa entre a dureza da água e as doenças cardiovasculares associado a outros factores sociais e climatéricos, o que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) não foi ainda completamente provado.
      • 2. Porque é que por vezes a água da torneira está branca?

        A cor branca deve-se à existência de ar dissolvido na água, sendo originada, principalmente, por manobras na Rede de Distribuição. Esta situação é pontual e passageira, mas importa salientar que a água está própria para consumo. 

        Aconselhamos a deixar repousar a água por alguns minutos.
      • 3. Que volume da água é necessário para uma análise físico-química para consumo humano?

        Deverá recolher cerca de 500ml de água. Consulte a procedimento de amostragem no menu - SERVIÇOS.
      • 4. Qual a importância do cloro?

        O cloro é um desinfectante utilizado no tratamento da água, que visa garantir a qualidade microbiológica da mesma, não provocando problemas para a saúde pública.
      • 5. Qual é a legislação que regula o tratamento da água para consumo humano?

        A legislação para o tratamento da água é o Decreto-Lei nº 306/2007 de 27 de Agosto.
      • 6. O que é o pH da água?

        O valor do pH (potencial hidrogeniónico) traduz a acidez ou basicidade da água. A escala do pH compreende valores entre 0 e 14, sendo que um pH igual a 7,0 indica uma solução neutra. Se for menor do que 7,0 indica uma solução ácida. E se for maior do que 7,0 corresponde a uma solução alcalina.
      • 7. Que Factores podem influenciar as características da água?

        A idade e o estado de conservação das canalizações podem alterar as características da água, concretamente, o sabor, o cheiro e a cor. A temperatura da água também pode influenciar o seu sabor. Quando a água está fresca é mais agradável ao paladar.